Classificação de Montreal e Escore de Mayo na RCU

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente realizou uma colonoscopia com processo inflamatório intenso em todo cólon esquerdo, sigmoide e reto, com áreas de úlceras, hiperemia e edema, com biópsias revelando Retocolite Ulcerativa. A classificação topográfica e endoscópica deste paciente seriam respectivamente:

Alternativas

  1. A) Montreal E1 e SES – CD.
  2. B) Montreal E3 e Mayo.
  3. C) Montreal E1 e Rugreets.
  4. D) Montreal E2 e Mayo.
  5. E) Montreal E4 e Gobletts.

Pérola Clínica

Montreal E2 = acometimento até a flexura esplênica; Mayo = escore de gravidade endoscópica na RCU.

Resumo-Chave

A classificação de Montreal define a extensão anatômica da RCU (E1: proctite; E2: esquerda; E3: pancolite), enquanto o escore de Mayo avalia a gravidade da atividade inflamatória mucosa.

Contexto Educacional

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica caracterizada por inflamação contínua e superficial da mucosa, iniciando-se sempre no reto e progredindo proximalmente. A padronização da descrição endoscópica é crucial para o acompanhamento da resposta terapêutica e para a vigilância de câncer colorretal, cujo risco aumenta com a extensão (E2 e E3) e o tempo de doença. A Classificação de Montreal permite uma linguagem universal entre especialistas. Complementarmente, o Escore de Mayo endoscópico é o parâmetro mais utilizado em ensaios clínicos para definir 'remissão mucosa' (Mayo 0 ou 1). Diferente da Doença de Crohn, a RCU não apresenta 'pulo' de áreas sadias (skip lesions) e não costuma envolver o intestino delgado, exceto na 'ileíte de refluxo' (backwash ileitis) em casos de pancolite grave.

Perguntas Frequentes

O que define a categoria Montreal E2 na RCU?

A categoria E2 da Classificação de Montreal refere-se à 'Colite Esquerda'. Isso significa que o processo inflamatório se estende do reto até a flexura esplênica (ângulo esplênico). Se a inflamação ultrapassar a flexura esplênica em direção ao cólon transverso ou direito, a classificação muda para E3 (Pancolite). Se estiver restrita ao reto, é E1 (Proctite Ulcerativa).

Como funciona a pontuação do Escore de Mayo?

O Escore de Mayo é uma ferramenta clínica e endoscópica. Na parte endoscópica (Mayo subscore), a pontuação varia de 0 a 3: 0 indica mucosa normal; 1 indica doença leve (eritema, padrão vascular reduzido); 2 indica doença moderada (eritema acentuado, ausência de padrão vascular, erosões e friabilidade ao toque); 3 indica doença grave (ulcerações espontâneas e sangramento).

Por que a classificação topográfica é importante no tratamento?

A extensão da doença (Montreal) dita a via de administração da terapia. Pacientes E1 (proctite) podem ser tratados apenas com terapia tópica (supositórios). Pacientes E2 (esquerda) geralmente requerem combinação de terapia tópica (enemas) e oral. Já pacientes E3 (pancolite) necessitam obrigatoriamente de terapia sistêmica oral ou biológica, pois a terapia tópica não atinge as áreas proximais inflamadas.

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