FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 58 anos de idade, apresenta disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação noturna e perda de peso significativa. Radiografia de tórax e esofagograma baritado revelam dilatação esofágica severa, com esôfago dobrando-se sobre a cúpula diafragmática, com ausência de peristalse e estreitamento na junção esofagogástrica. Relata também episódios recorrentes de pneumonia aspirativa. A classificação adequada do megaesôfago é fundamental para a instituição do tratamento adequado. Com relação ao quadro clínico descrito acima, qual a classificação do megaesôfago do paciente descrito?
Megaesôfago Grupo IV = esôfago sigmoide, dilatação severa, perda de peso, pneumonia aspirativa.
A classificação do megaesôfago é crucial para guiar o tratamento. O Grupo IV, ou megaesôfago avançado, é caracterizado por uma dilatação esofágica extrema, com o esôfago tornando-se tortuoso (sigmoide), perda de peso significativa e complicações como pneumonia aspirativa devido à estase alimentar. Essa forma grave geralmente requer intervenção cirúrgica.
O megaesôfago é uma condição caracterizada pela dilatação do esôfago e pela perda da peristalse, geralmente secundária à acalasia, que é a falha do relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico. No Brasil, a causa mais comum de acalasia é a doença de Chagas. A classificação do megaesôfago, notadamente a de Rezende, é essencial para estratificar a gravidade e orientar a conduta terapêutica, variando de I (dilatação leve) a IV (dilatação severa e esôfago sigmoide). A fisiopatologia da acalasia envolve a degeneração dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach, resultando na perda da inervação inibitória do EEI e na ausência de peristalse esofágica. Isso leva à estase alimentar, dilatação progressiva do esôfago e sintomas como disfagia (para sólidos e líquidos), regurgitação (especialmente noturna), dor torácica e perda de peso. A pneumonia aspirativa é uma complicação grave e comum em estágios avançados devido à regurgitação. O diagnóstico é feito com base na história clínica, radiografia de tórax (que pode mostrar nível hidroaéreo no esôfago), esofagograma baritado (que revela a dilatação, aperistalse e o 'bico de pássaro' no EEI) e manometria esofágica (padrão-ouro para confirmar a acalasia). O tratamento varia conforme a classificação: os grupos iniciais podem ser tratados com dilatação endoscópica, injeção de toxina botulínica ou miotomia endoscópica (POEM). Para o megaesôfago Grupo IV, a dilatação é tão severa e o esôfago tão tortuoso (esôfago sigmoide) que a miotomia cirúrgica (Heller) pode ser insuficiente, sendo frequentemente indicada a esofagectomia, um procedimento mais invasivo, mas que oferece melhor qualidade de vida a longo prazo para esses pacientes.
O megaesôfago Grupo IV, de acordo com a classificação de Rezende, é caracterizado por uma dilatação esofágica severa e acentuada, com o esôfago apresentando um aspecto tortuoso ou sigmoide. Radiologicamente, observa-se um diâmetro esofágico superior a 10 cm, com grande estase alimentar e ausência de peristalse, além de um estreitamento na junção esofagogástrica.
As manifestações clínicas do megaesôfago Grupo IV incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação noturna de alimentos não digeridos, perda de peso significativa devido à dificuldade de alimentação, e episódios recorrentes de pneumonia aspirativa. A dor torácica pode estar presente, mas é menos proeminente que a disfagia.
A classificação do megaesôfago é fundamental para guiar a escolha do tratamento. Enquanto os grupos I e II podem se beneficiar de tratamentos endoscópicos (dilatação, miotomia peroral endoscópica - POEM) ou farmacológicos, o Grupo IV, devido à sua dilatação extrema e tortuosidade, geralmente requer tratamento cirúrgico, como a esofagocardiomiotomia com fundoplicatura ou, em casos mais graves, a esofagectomia.
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