Mallampati e Via Aérea Difícil: Avaliação Pré-Anestésica

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 45 anos, do sexo feminino, pesando 75 kg e com 1,55 m de altura será submetida à colecistectomia videolaparoscópica. Na avaliação pré-anestésica, o exame físico da via aérea foi descrito da seguinte forma: presença de dentes bem conservados com incisivos superiores relativamente longos, sendo a distância interincisivos 2,5 cm, pescoço alongado com boa mobilidade cervical, distância tireomentoniana maior que 6 cm, reduzida complacência do espaço submandibular. Palato arqueado e ao teste de Mallampati foram visualizados o palato mole e a base da úvula. No caso da paciente, a classificação de Mallampati e o risco de dificuldade para a intubação são assim especificados:

Alternativas

  1. A) Mallampati I e provável dificuldade para intubação.
  2. B) Mallampati II e a intubação será sem dificuldade.
  3. C) Mallampati III e provável dificuldade para intubação.
  4. D) Malampati IV e, provavelmente, a intubação será sem dificuldade.

Pérola Clínica

Mallampati III (palato mole e base da úvula visíveis) + distância interincisivos reduzida → provável via aérea difícil.

Resumo-Chave

A classificação de Mallampati avalia a visibilidade das estruturas orofaríngeas, sendo Mallampati III quando apenas o palato mole e a base da úvula são visíveis. Associada a outros preditores de via aérea difícil, como a distância interincisivos reduzida e a complacência submandibular diminuída, indica um alto risco de intubação orotraqueal difícil, exigindo um plano anestésico cuidadoso.

Contexto Educacional

A avaliação pré-anestésica da via aérea é um componente crítico para a segurança do paciente, visando identificar aqueles com risco de intubação orotraqueal difícil. A classificação de Mallampati é uma das ferramentas mais utilizadas, avaliando a visibilidade das estruturas orofaríngeas. Um Mallampati III, onde apenas o palato mole e a base da úvula são visíveis, já indica um risco aumentado. No entanto, a avaliação não deve se restringir apenas ao Mallampati. Outros fatores como a distância interincisivos (que avalia a abertura da boca), a mobilidade cervical e a complacência do espaço submandibular (que reflete a capacidade de deslocamento da língua e tecidos moles) são igualmente importantes. Uma distância interincisivos reduzida (2,5 cm no caso) e uma complacência submandibular diminuída são fortes preditores de dificuldade. Ao integrar todos esses achados, o anestesiologista pode formular um plano de manejo da via aérea que inclua a preparação de equipamentos específicos e a disponibilidade de técnicas alternativas, garantindo a oxigenação e ventilação do paciente, mesmo diante de uma via aérea desafiadora. O reconhecimento precoce desses fatores é fundamental para a prevenção de eventos adversos graves.

Perguntas Frequentes

Como é feita a classificação de Mallampati?

A classificação de Mallampati é realizada com o paciente sentado, boca aberta e língua para fora, sem fonar. Mallampati I: úvula, pilares amigdalianos e palato mole visíveis. Mallampati II: úvula e palato mole visíveis. Mallampati III: apenas palato mole e base da úvula visíveis. Mallampati IV: apenas palato duro visível.

Quais são os principais preditores de via aérea difícil?

Além do Mallampati, outros preditores incluem: distância tireomentoniana < 6 cm, distância interincisivos < 3 cm, mobilidade cervical limitada, obesidade, pescoço curto e grosso, micrognatia, retrognatia, macroglossia, e complacência reduzida do espaço submandibular.

Qual a importância da avaliação da via aérea no pré-operatório?

A avaliação da via aérea é crucial para identificar pacientes com risco de intubação difícil, permitindo que o anestesiologista planeje a abordagem mais segura, prepare equipamentos específicos (fibroscópio, videolaringoscópio) e tenha estratégias alternativas prontas, minimizando complicações graves como hipóxia e lesão cerebral.

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