Classificação de Mallampati: Previsão de Via Aérea Difícil

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos, com histórico de apneia do sono e hipertensão controlada, é submetido a avaliação pré anestésica antes de uma cirurgia eletiva de hérnia inguinal. Durante a avaliação da via aérea, o anestesiologista observa que o paciente apresenta uma abertura de boca de 5 cm, a distância tireomentoniana é de 7 cm, a mobilidade cervical é normal, e durante abertura bucal é visível apenas o palato mole e a base da úvula. Com base no exame físico, qual das seguintes informações é a mais relevante para prever possíveis dificuldades na intubação?

Alternativas

  1. A) A distância tireomentoniana.
  2. B) A abertura bucal.
  3. C) A classificação de Mallampati.
  4. D) O histórico de apneia do sono e hipertensão.

Pérola Clínica

Mallampati III/IV (visualização apenas do palato mole ou duro) é um forte preditor de laringoscopia difícil (Cormack-Lehane III/IV).

Resumo-Chave

A classificação de Mallampati avalia a visualização das estruturas da orofaringe e é um dos preditores mais importantes de dificuldade na laringoscopia e intubação. A descrição 'visível apenas o palato mole e a base da úvula' corresponde a uma classe III, indicando maior risco.

Contexto Educacional

A avaliação pré-anestésica da via aérea é um passo crítico para antecipar e planejar o manejo de uma via aérea difícil, minimizando o risco de complicações graves como hipóxia e parada cardiorrespiratória. A falha em intubar e ventilar é uma das principais causas de morbimortalidade relacionada à anestesia. Diversos índices e testes são utilizados para prever uma intubação difícil. A classificação de Mallampati, realizada com o paciente sentado, com a cabeça em posição neutra, boca aberta e língua protruída ao máximo sem fonar, é um dos mais utilizados. Ela avalia a proporção entre o tamanho da língua e o espaço na orofaringe. A descrição do caso (visível apenas palato mole e base da úvula) corresponde à Classe III de Mallampati, um conhecido preditor de dificuldade na visualização da glote durante a laringoscopia. Nenhum teste isolado possui sensibilidade e especificidade perfeitas. Portanto, a abordagem deve ser integrada, combinando o Mallampati com outros parâmetros como a distância tireomentoniana, distância esternomentoniana, abertura bucal, mobilidade cervical e a presença de comorbidades como obesidade e apneia obstrutiva do sono. A identificação de múltiplos preditores aumenta a probabilidade de uma via aérea difícil e exige um plano de manejo bem definido, com disponibilidade de dispositivos supraglóticos e, se necessário, um plano para via aérea cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são as quatro classes da classificação de Mallampati?

Classe I: visíveis palato mole, úvula, fauce e pilares amigdalianos. Classe II: visíveis palato mole, úvula e fauce. Classe III: visíveis palato mole e base da úvula. Classe IV: visível apenas o palato duro.

Qual a importância da distância tireomentoniana (DTM) na avaliação da via aérea?

A DTM avalia o espaço submandibular. Uma distância inferior a 6,5 cm (ou 3 dedos) sugere uma laringe em posição anterior, o que pode dificultar o alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo durante a laringoscopia, tornando a intubação mais difícil.

O que é a escala de Cormack-Lehane e como ela se relaciona com Mallampati?

A escala de Cormack-Lehane classifica a visão obtida durante a laringoscopia direta (Grau I: glote toda visível; Grau IV: epiglote não visível). Uma classificação de Mallampati alta (III ou IV) correlaciona-se com uma maior probabilidade de uma visão laringoscópica ruim (Cormack-Lehane III ou IV).

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