UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Homem de 50 anos apresenta quadro clínico compatível com doença do refluxo gastroesofágico. Retorna ao consultório com endoscopia digestiva alta com a seguinte descrição: esôfago de calibre, peristalse e mucosa normais, exceto na porção distal em que se observam múltiplas erosões multiformes que confluem na altura da junção esofagogástrica, ocupando mais de 75% da circunferência do órgão. A junção esofagogástrica é móvel e está 3 cm acima do pinçamento diafragmático. Presença de refluxo espontâneo durante o exame. O grau de esofagite desse paciente, segundo a classificação endoscópica de Los Angeles, é:
Erosões > 75% da circunferência esofágica = Los Angeles Grau D.
A Classificação de Los Angeles estratifica a gravidade da esofagite erosiva. O Grau D é a forma mais grave, caracterizada por erosões que envolvem pelo menos 75% da circunferência do esôfago.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma das condições mais comuns na prática gastroenterológica. A endoscopia digestiva alta (EDA) é fundamental para identificar lesões mucosas, embora muitos pacientes com DRGE apresentem exames normais (DRGE não erosiva). A Classificação de Los Angeles é universalmente aceita para padronizar os achados de esofagite erosiva, permitindo uma comunicação clara entre endoscopistas e clínicos. O caso descrito apresenta erosões confluentes que ocupam mais de 75% da circunferência, o que define o Grau D. A presença de hérnia de hiato associada (JEG 3 cm acima do diafragma) é um fator fisiopatológico importante que contribui para a gravidade do quadro. O manejo desses pacientes envolve o uso otimizado de IBPs, modificações no estilo de vida e vigilância rigorosa para prevenir a progressão para metaplasia intestinal (Esôfago de Barrett).
A Classificação de Los Angeles divide a esofagite erosiva em quatro graus: Grau A: Uma ou mais erosões de até 5 mm, limitadas às pregas mucosas. Grau B: Pelo menos uma erosão com mais de 5 mm, mas sem continuidade entre as pregas. Grau C: Erosões contínuas entre duas ou mais pregas, mas que envolvem menos de 75% da circunferência do esôfago. Grau D: Erosões que envolvem 75% ou mais da circunferência esofágica. É a ferramenta padrão-ouro para descrever a gravidade da DRGE na endoscopia.
A esofagite Grau D representa a forma mais grave de lesão mucosa na DRGE. Pacientes com Grau C ou D têm maior risco de complicações como estenose esofágica, esôfago de Barrett e adenocarcinoma. Além disso, esses graus exigem tratamento mais agressivo com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) em dose plena por tempo prolongado e frequentemente necessitam de endoscopia de controle após 8-12 semanas para confirmar a cicatrização e excluir Barrett oculto pelas erosões.
Esse achado endoscópico sugere a presença de uma hérnia de hiato por deslizamento. A junção esofagogástrica (JEG) normalmente deve estar ao nível do pinçamento diafragmático. Quando a JEG se desloca superiormente para o tórax, o mecanismo de barreira anti-refluxo (esfíncter esofágico inferior + diafragma) fica comprometido, facilitando o refluxo do conteúdo gástrico e o desenvolvimento de esofagite erosiva grave.
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