HCanMT - Hospital de Câncer de Mato Grosso — Prova 2015
Paciente J.L.S.R., 51 anos, deu entrada no Pronto-Socorro de Cuiabá com história de atropelamento. Durante o procedimento cirúrgico foi observado lesão pancreática grau II com laceração de 25%. Qual a melhor conduta por parte da equipe cirúrgica?
Lesão pancreática traumática Grau II (laceração <50% sem lesão ductal) → sutura da cápsula e drenagem, visando preservação do órgão.
Lesões pancreáticas traumáticas são classificadas pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma). Uma lesão Grau II, caracterizada por laceração maior sem lesão ductal ou perda de tecido significativa, geralmente é manejada com sutura da cápsula pancreática e drenagem, buscando preservar o pâncreas e evitar ressecções desnecessárias.
O trauma pancreático é uma lesão abdominal complexa e potencialmente grave, com alta morbimortalidade. A classificação da lesão, geralmente utilizando a escala da American Association for the Surgery of Trauma (AAST), é crucial para guiar a conduta cirúrgica. As lesões são graduadas de I a V, com base na extensão do dano parenquimatoso e na presença de lesão ductal. Uma lesão pancreática Grau II é caracterizada por uma laceração maior sem lesão do ducto pancreático principal e sem perda significativa de tecido. No caso de uma laceração de 25%, a integridade do ducto principal é provavelmente preservada. Para essas lesões de baixo grau, a abordagem cirúrgica visa a preservação do pâncreas, minimizando ressecções desnecessárias que aumentam o risco de insuficiência pancreática exócrina e endócrina. A conduta mais apropriada para uma lesão Grau II é a sutura da cápsula pancreática para controle do sangramento e fechamento da laceração, seguida de drenagem adequada da cavidade abdominal. A drenagem é essencial para controlar o extravasamento de suco pancreático e prevenir a formação de fístulas ou pseudocistos. Pancreatectomia distal ou duodenopancreatectomia são procedimentos mais extensos, reservados para lesões de graus mais elevados (Grau III, IV ou V) que envolvem lesão do ducto principal ou destruição significativa do parênquima.
As lesões pancreáticas são classificadas pela AAST em cinco graus: Grau I (contusão menor, laceração superficial), Grau II (laceração maior sem lesão ductal), Grau III (laceração com lesão ductal distal), Grau IV (lesão da cabeça com lesão ductal) e Grau V (destruição maciça da cabeça pancreática).
A principal preocupação em lesões pancreáticas com lesão ductal é o extravasamento de suco pancreático, que pode levar à formação de fístulas pancreáticas, pseudocistos, abscesso e peritonite química, aumentando significativamente a morbimortalidade. Nesses casos, a ressecção ou derivação pode ser necessária.
A pancreatectomia distal é geralmente indicada para lesões pancreáticas mais graves, como as de Grau III, que envolvem laceração com lesão do ducto pancreático principal no corpo ou cauda do pâncreas, especialmente quando há transecção do ducto ou lesão extensa do parênquima distal.
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