HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Homem 66 anos, etilista, com perda de peso e plenitude pos prandial progressivos. Realizou endoscopia que mostrou lesão infiltrativa no corpo gástrico. Biopsia revela carcinoma gástrico do tipo difuso de Lauren. Sobre essa classificação, assinale a alternativa correta:
Lauren Difuso = Células em anel de sinete + Pior prognóstico + Jovens/Mulheres + Infiltrativo.
A classificação de Lauren diferencia o câncer gástrico em Intestinal (expansivo, idosos, fatores ambientais) e Difuso (infiltrativo, células em anel de sinete, pior prognóstico).
A classificação de Lauren, proposta em 1965, permanece como uma das ferramentas histopatológicas mais importantes para o manejo do adenocarcinoma gástrico. Ela divide os tumores em dois subtipos principais com características epidemiológicas, patogênicas e clínicas distintas. O tipo intestinal é o mais comum, associado a lesões precursoras e melhor prognóstico, enquanto o tipo difuso está ligado a mutações genéticas (como no gene CDH1 da E-caderina) e apresenta comportamento biológico agressivo. Na prática clínica, identificar o subtipo difuso é crucial, pois ele exige margens cirúrgicas mais amplas devido ao seu padrão de crescimento microscópico infiltrativo. Além disso, a presença de células em anel de sinete é um marcador de quimiorresistência relativa em alguns protocolos, influenciando as decisões terapêuticas multidisciplinares.
O tipo difuso é caracterizado por células pouco coesas que se infiltram individualmente ou em pequenos grupos na parede gástrica. A marca histológica clássica são as células em anel de sinete, onde o núcleo é deslocado para a periferia por uma grande vacúolo de mucina intracitoplasmática. Diferente do tipo intestinal, ele não forma estruturas glandulares organizadas e apresenta um padrão de crescimento infiltrativo, muitas vezes levando à linite plástica.
O tipo difuso possui um prognóstico significativamente pior em comparação ao tipo intestinal. Isso ocorre devido à sua natureza biológica mais agressiva, maior capacidade de infiltração submucosa e serosa, e tendência a metástases precoces, inclusive por disseminação peritoneal. Além disso, o tipo difuso costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados e em pacientes mais jovens, onde a agressividade tumoral tende a ser maior.
O tipo intestinal está fortemente relacionado a fatores ambientais e dietéticos, como consumo de alimentos defumados e salgados, tabagismo e infecção crônica por Helicobacter pylori. Ele surge a partir de uma cascata de eventos pré-malignos bem definida: gastrite crônica atrófica seguida de metaplasia intestinal e displasia. É mais comum em homens idosos e em áreas de alta incidência de câncer gástrico.
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