SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Diversas classificações foram realizadas sobre o câncer gástrico. Em 1965, Lauren propôs uma divisão do adenocarcinoma gástrico em tipo Intestinal ou Difuso conforme sua histologia, patologia, epidemiologia e prognóstico. De acordo com essa classificação, é correto afirmar que o adenocarcinoma gástrico:
Lauren Difuso = Jovens, células em anel de sinete, pior prognóstico, tipo sanguíneo A.
A classificação de Lauren divide o adenocarcinoma gástrico em Intestinal (diferenciado, idosos, fatores ambientais) e Difuso (indiferenciado, jovens, genética, pior prognóstico).
A classificação de Lauren (1965) permanece como um dos pilares para o entendimento da biologia do câncer gástrico. Enquanto o tipo intestinal tem apresentado queda na incidência global devido ao melhor controle de fatores ambientais e tratamento do H. pylori, o tipo difuso mantém sua incidência estável ou em ascensão em algumas populações jovens. O reconhecimento do tipo difuso é vital na prática clínica, pois ele frequentemente se apresenta como 'linitis plastica', dificultando o diagnóstico endoscópico precoce devido ao crescimento infiltrativo submucoso. Além disso, a triagem genética para mutações no gene CDH1 deve ser considerada em famílias com múltiplos casos de tipo difuso, dada a forte herança autossômica dominante em síndromes de câncer gástrico difuso hereditário.
O tipo difuso é caracteristicamente indiferenciado, acometendo pacientes mais jovens e sem predominância clara de sexo. Histologicamente, apresenta as clássicas 'células em anel de sinete' e perda de coesão celular (frequentemente por mutação na E-caderina/CDH1). Tem disseminação predominantemente linfática e por contiguidade (peritoneal), apresentando um prognóstico mais reservado e menor relação com fatores ambientais/dieta.
O tipo intestinal é bem diferenciado, formando estruturas glandulares que lembram a mucosa colônica. É mais comum em homens idosos e está fortemente associado a fatores ambientais e lesões precursoras como a gastrite atrófica e a metaplasia intestinal (frequentemente ligadas à infecção crônica pelo H. pylori). Sua disseminação é predominantemente hematogênica e possui um prognóstico ligeiramente melhor que o tipo difuso.
O grupo sanguíneo tipo A está classicamente associado a um risco aumentado para o desenvolvimento do adenocarcinoma gástrico do tipo difuso de Lauren. Esta é uma associação genética e epidemiológica importante que ajuda a diferenciar o perfil deste subtipo em relação ao tipo intestinal, que é mais influenciado por fatores externos, como consumo de nitratos e tabagismo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo