Classificação de Killip no IAM: Critérios e Importância

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021

Enunciado

Um paciente de 54 anos de idade, com história de hipertensão arterial e dislipidemia, deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor torácica retroesternal irradiada para a mandíbula há uma hora. Sinais vitais na entrada: pressão arterial de 140 x 90 mmHg; frequência cardíaca de 92; saturação de O2 de 94%; e frequência respiratória de 20. Exame cardiopulmonar: ritmo cardíaco regular, sem sopros; e presença de B3 e B4. Murmúrio vesicular audível bilateralmente, com estertores finos em ambas as bases. Eletrocardiograma revelou infradesnivelamento de ST.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.A classificação da apresentação clínica é Killip 2.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Killip 2 = IAM + Estertores em bases ou B3 → Indica insuficiência cardíaca leve.

Resumo-Chave

A classificação de Killip é uma ferramenta clínica de beira de leito que correlaciona achados de insuficiência cardíaca no IAM com a mortalidade hospitalar.

Contexto Educacional

A classificação de Killip-Kimball, desenvolvida na década de 1960, permanece como um dos pilares da avaliação clínica inicial na Síndrome Coronariana Aguda (SCA). Ela permite ao médico estimar a gravidade da disfunção ventricular esquerda sem a necessidade imediata de exames de imagem complexos, utilizando apenas a ausculta cardíaca e pulmonar. No caso clínico, o paciente apresenta dor torácica típica, alterações eletrocardiográficas (infra de ST) e sinais físicos de congestão pulmonar leve (estertores finos em bases) e disfunção ventricular (presença de B3). Esses achados preenchem exatamente os critérios para Killip II. A identificação precoce dessa classe alerta para um risco aumentado de complicações e a necessidade de monitorização hemodinâmica mais rigorosa e otimização da terapia anti-isquêmica e para insuficiência cardíaca.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro estágios da classificação de Killip?

A classificação é dividida em: Killip I (ausência de sinais de insuficiência cardíaca); Killip II (presença de estertores crepitantes em bases pulmonares, B3 ou hipertensão venosa pulmonar); Killip III (edema agudo de pulmão franco, com estertores em mais de metade dos campos pulmonares); e Killip IV (choque cardiogênico, com hipotensão e sinais de má perfusão periférica).

Qual o significado clínico da presença de B3 no IAM?

A terceira bulha (B3) ou galope ventricular ocorre devido ao preenchimento ventricular rápido em um ventrículo complacente ou sobrecarregado. No contexto do infarto agudo do miocárdio, a B3 é um marcador sensível de disfunção sistólica do ventrículo direito ou esquerdo e indica um grau de insuficiência cardíaca, enquadrando o paciente no estágio Killip II.

Como o Killip influencia o prognóstico do paciente?

Existe uma correlação direta entre a classe de Killip e a mortalidade em 30 dias. Enquanto o Killip I apresenta mortalidade em torno de 6%, o Killip II sobe para 17%, o Killip III para 38% e o Killip IV (choque cardiogênico) pode ultrapassar 80% sem intervenção imediata. Portanto, é uma ferramenta fundamental para triagem e agressividade terapêutica.

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