FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Homem, 58 anos, hipertenso e diabético de longa data apresenta exames recentes que indicam uma taxa de filtração glomerular estimada (TFGE) de 38 mL/min/1,73 m² e uma excreção urinária de albumina de 320 mg/dia. Ele não relata sintomas urinários, mas refere fadiga leve e episódios de edema leve nos membros inferiores. Com base na TFG e na excreção urinária de albumina, qual é a classificação da doença renal crônica (DRC) desse paciente?
DRC G3bA3 = TFG 30-44 mL/min + Albuminúria > 300 mg/dia (ou mg/g).
A classificação KDIGO cruza a função renal (G1-G5) com o dano estrutural/albuminúria (A1-A3) para estratificar o risco de progressão e eventos cardiovasculares.
A Doença Renal Crônica (DRC) é definida por alterações da estrutura ou função renal por mais de 3 meses. A classificação atual da KDIGO utiliza o 'mapa de calor' que cruza as categorias de TFG (G1: ≥90; G2: 60-89; G3a: 45-59; G3b: 30-44; G4: 15-29; G5: <15) com as categorias de albuminúria (A1: <30 mg/g; A2: 30-300 mg/g; A3: >300 mg/g). No caso clínico apresentado, o paciente possui TFG de 38 (G3b) e albuminúria de 320 mg/dia (A3). Esta combinação coloca o paciente em uma zona de 'muito alto risco' para progressão da DRC e eventos cardiovasculares, exigindo controle rigoroso da pressão arterial e glicemia, além de medidas nefroprotetoras específicas.
O estágio 3 da Doença Renal Crônica é subdividido em dois para melhor estratificação de risco: G3a, que compreende uma Taxa de Filtração Glomerular (TFG) entre 45 e 59 mL/min/1,73m², representando uma redução leve a moderada; e G3b, que compreende uma TFG entre 30 e 44 mL/min/1,73m², representando uma redução moderada a grave. Pacientes no estágio G3b apresentam um risco significativamente maior de progressão para falência renal e complicações cardiovasculares.
A categoria A3 define uma albuminúria gravemente aumentada. Ela é caracterizada por uma excreção urinária de albumina superior a 300 mg em 24 horas ou uma relação albumina/creatinina (RAC) superior a 300 mg/g em amostra isolada. A presença de albuminúria A3 é um forte preditor independente de progressão da doença renal e mortalidade cardiovascular, independentemente do nível da TFG.
A classificação combinada (G e A) permite uma avaliação prognóstica muito mais precisa do que a TFG isolada. Ela orienta a frequência do monitoramento, a necessidade de encaminhamento ao nefrologista e a intensidade das intervenções terapêuticas, como o uso de iECA/BRA e iSGLT2, que são fundamentais para a nefroproteção, especialmente em pacientes com albuminúria elevada (A2 e A3).
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