SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
O conhecimento da classificação de Jhonson para as úlceras gástricas é fundamental para a escolha do tratamento cirúrgico das úlceras complicadas (obstrução, perfuração ou sangramento). De acordo com a fisiopatologia das úlceras gástricas, é correto afirmar que a vagotomia se justifica apenas no tratamento das úlceras:
Johnson II e III = Hiperacidez → Exigem Vagotomia. Johnson I e IV = Hipo/Normoacidez.
As úlceras gástricas tipos II e III compartilham a fisiopatologia de hipersecreção ácida com a úlcera duodenal, justificando o uso da vagotomia.
A Classificação de Johnson é um pilar no estudo da cirurgia digestiva, pois correlaciona a localização anatômica da úlcera gástrica com sua fisiopatologia ácida. Compreender essa distinção é vital para evitar procedimentos desnecessários, como a vagotomia em pacientes que já possuem baixa produção de ácido (Tipos I e IV), o que poderia agravar distúrbios de esvaziamento gástrico sem benefício terapêutico. Na prática moderna, o tratamento cirúrgico das úlceras pépticas tornou-se menos frequente devido aos Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) e ao tratamento do H. pylori. Entretanto, em situações de urgência como perfuração ou sangramento refratário, o cirurgião deve decidir rapidamente entre a simples sutura ou um procedimento definitivo, onde a Classificação de Johnson orienta a extensão da ressecção e a necessidade de denervação vagal.
Tipo I: Localizada na pequena curvatura (baixa), associada a hipocloridria. Tipo II: Duas úlceras (corpo gástrico + duodenal), associada a hipercloridria. Tipo III: Pré-pilórica (até 3cm do piloro), associada a hipercloridria. Tipo IV: Pequena curvatura alta (próximo à transição esofagogástrica), associada a hipocloridria. Tipo V: Induzida por AINEs, pode ocorrer em qualquer local.
Diferente das úlceras tipo I e IV, que resultam da quebra da barreira mucosa defensiva, as úlceras tipos II e III são impulsionadas pela hipersecreção de ácido clorídrico, de forma análoga às úlceras duodenais. A vagotomia interrompe o estímulo parassimpático às células parietais, reduzindo drasticamente a produção de ácido e permitindo a cicatrização e prevenção de recidivas nessas categorias específicas.
Para a úlcera tipo I, o tratamento cirúrgico de escolha em casos complicados costuma ser a gastrectomia distal com reconstrução a B1 (gastroduodenostomia) ou B2 (gastrojejunostomia). Como não há hiperacidez, a vagotomia não é necessária, focando-se na ressecção da área ulcerada e da zona de gastrite antral associada.
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