CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Segundo a classificação internacional do retinoblastoma, um olho com um foco tumoral, com sementes vítreas e no líquido sub-retiniano, acometendo mais de um quadrante de retina, é classificado quanto ao risco de perda ocular em:
Retinoblastoma com sementes vítreas/sub-retinianas difusas (>1 quadrante) = Grupo D (Alto Risco).
A Classificação Internacional (ICRB) estratifica o retinoblastoma pelo potencial de salvamento ocular; o Grupo D apresenta doença disseminada no vítreo ou espaço sub-retiniano.
O retinoblastoma é o tumor intraocular primário mais comum da infância. A Classificação Internacional do Retinoblastoma (ICRB) foi desenvolvida para prever o sucesso do tratamento conservador (salvamento do globo ocular). Ela divide os tumores de A a E. O Grupo D representa um estágio crítico onde a doença não está mais confinada à retina, apresentando sementes no vítreo ou no espaço sub-retiniano. Historicamente, muitos desses olhos eram enucleados, mas avanços como a quimioterapia intra-arterial (via artéria oftálmica) e a quimioterapia intravítrea mudaram o prognóstico, permitindo o salvamento ocular em uma porcentagem crescente de casos, embora o risco de metástase e a necessidade de monitoramento rigoroso permaneçam altos.
O Grupo D (Alto Risco) na Classificação Internacional do Retinoblastoma (ICRB) é definido por tumores volumosos ou disseminados que apresentam sementes vítreas ou sub-retinianas significativas (difusas ou a mais de 3 mm do tumor principal). Esses casos têm uma chance moderada a baixa de salvamento ocular apenas com quimioterapia sistêmica convencional, frequentemente exigindo terapias adjuvantes como quimioterapia intra-arterial ou intravítrea.
Enquanto o Grupo D se refere a olhos com doença avançada mas ainda passíveis de tentativa de salvamento ocular, o Grupo E (Muito Alto Risco) engloba olhos com características que tornam o salvamento impossível ou perigoso para a vida da criança. Isso inclui glaucoma neovascular, hemorragia vítrea maciça, invasão do segmento anterior, ptise bulbi ou suspeita de invasão do nervo óptico.
As sementes vítreas são clones tumorais que se desprendem da massa principal e flutuam no vítreo, onde são avasculares e, portanto, menos sensíveis à quimioterapia sistêmica. A presença de sementes difusas (característica do Grupo D) é um dos maiores desafios terapêuticos, sendo hoje frequentemente tratada com injeções intravítreas de melfalano para alcançar concentrações tumoricidas no gel vítreo.
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