UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Menina, 8a, é trazida para atendimento por febre e tosse há 2 dias, com piora progressiva. Hoje com cansaço e falta de ar. Antecedente pessoal: asma em uso de beclometasona via inalatória 200 mcg 2x/dia. Exame físico: FR= 43 irpm, FC=120 bpm, T= 39ºC, pálido, retração intercostal e subcostal; oximetria de pulso (ar ambiente) = 90%; Pulmão: murmúrio vesicular diminuído em base esquerda, com estertores subcrepitantes à esquerda. Radiograma de tórax:TRATA-SE DE UMA INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA:
Retração, MV ↓, estertores, hipoxemia → IR Baixa e Restritiva (ex: pneumonia).
A insuficiência respiratória baixa envolve o parênquima pulmonar ou vias aéreas inferiores, enquanto a restritiva é caracterizada pela redução dos volumes pulmonares, como em pneumonias ou derrames. Os achados de murmúrio vesicular diminuído e estertores subcrepitantes focais, com hipoxemia e esforço respiratório, são típicos de um processo restritivo pulmonar.
A insuficiência respiratória (IR) é uma das principais causas de internação e mortalidade em crianças, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A classificação da IR é fundamental para guiar a investigação e o tratamento. Ela pode ser classificada quanto à localização (alta ou baixa) e ao mecanismo fisiopatológico (obstrutiva ou restritiva). A IR baixa envolve o trato respiratório inferior e o parênquima pulmonar, enquanto a IR restritiva é caracterizada pela dificuldade de expansão pulmonar e redução dos volumes pulmonares, como ocorre em pneumonias, derrames pleurais ou atelectasias. No caso clínico apresentado, a presença de febre, tosse, cansaço, falta de ar, retrações, taquipneia, hipoxemia (O2 90%) e achados focais no pulmão (murmúrio vesicular diminuído e estertores subcrepitantes em base esquerda) são altamente sugestivos de um processo inflamatório ou infeccioso no parênquima pulmonar, como uma pneumonia. Mesmo em um paciente com histórico de asma (doença obstrutiva), o quadro agudo com esses achados aponta para uma complicação que gera um padrão restritivo. O manejo da IR pediátrica envolve suporte ventilatório (oxigenoterapia, ventilação não invasiva ou invasiva), tratamento da causa subjacente (antibióticos para pneumonia, broncodilatadores para asma) e monitorização contínua. A capacidade de identificar rapidamente o tipo de IR e sua gravidade é uma habilidade essencial para qualquer residente ou profissional que atenda crianças.
A insuficiência respiratória alta envolve vias aéreas superiores (ex: laringite, epiglotite), com estridor. A baixa envolve vias aéreas inferiores e parênquima pulmonar (ex: bronquiolite, pneumonia), com sibilância, estertores ou murmúrio vesicular diminuído.
A insuficiência respiratória restritiva é caracterizada pela dificuldade na expansão pulmonar e redução dos volumes, manifestando-se com taquipneia, hipoxemia, esforço respiratório e achados como murmúrio vesicular diminuído e estertores, típicos de consolidações ou derrames.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, retração intercostal e subcostal, batimento de asa de nariz, cianose, gemência, alteração do nível de consciência e saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente.
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