Infarto Agudo do Miocárdio Tipo 3: Morte Súbita e Diagnóstico

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 14 anos de idade, jogador de futebol das categorias de base de um time conhecido, chegou ao pronto-socorro após mal-estar no treino. Referia dor torácica em aperto e náuseas. Evoluiu com hipotensão e instabilidade hemodinâmica. Foi realizado ECG, que evidenciou supradesnivelamento de ST da parede anterior. Paciente evoluiu com piora clínica e a óbito. A necropsia evidenciou coronárias anatomicamente sem alterações. Não foram visibilizadas placas ateromatosas, porém observadas áreas de necrose em parede anterior.Com base na classificação de infarto agudo do miocárdio, de acordo com fatores desencadeantes, publicada na Diretriz de Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem supra de ST, em 2021, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a provável classificação de infarto nesse caso.

Alternativas

  1. A) Tipo 2.
  2. B) Tipo 3.
  3. C) Tipo 4a.
  4. D) Tipo 4b.
  5. E) Tipo 4c.

Pérola Clínica

Morte súbita cardíaca + suspeita IAM (ECG alterado) + necrose miocárdica na necropsia + coronárias normais = IAM Tipo 3.

Resumo-Chave

O IAM Tipo 3 é definido como morte súbita cardíaca com sintomas sugestivos de isquemia miocárdica e alterações de ECG, onde o óbito ocorre antes da coleta de biomarcadores ou antes que estes atinjam níveis diagnósticos. A necropsia confirmando necrose miocárdica, mesmo com coronárias sem aterosclerose, é compatível com esta classificação.

Contexto Educacional

A classificação do infarto agudo do miocárdio (IAM) é fundamental para entender a etiologia e guiar o manejo. As diretrizes atuais, como a de 2021, categorizam o IAM em cinco tipos principais. O IAM Tipo 3 é uma categoria específica que se refere à morte súbita cardíaca, com sintomas sugestivos de isquemia miocárdica e alterações eletrocardiográficas (como supradesnivelamento de ST ou bloqueio de ramo esquerdo novo), onde o óbito ocorre antes que amostras de sangue para biomarcadores cardíacos possam ser coletadas ou antes que estes atinjam níveis diagnósticos. A fisiopatologia do IAM Tipo 3, embora não confirmada por biomarcadores, presume-se ser isquêmica, levando à necrose miocárdica. O diagnóstico é retrospectivo, muitas vezes baseado em achados de necropsia que demonstram necrose miocárdica aguda, mesmo na ausência de aterosclerose coronariana significativa. Este cenário é particularmente relevante em pacientes jovens ou atletas, onde outras causas de morte súbita, como cardiomiopatias ou anomalias congênitas das coronárias, devem ser excluídas, mas o infarto pode ocorrer por mecanismos como espasmo coronariano ou dissecção. O reconhecimento do IAM Tipo 3 é crucial para fins epidemiológicos e para a compreensão das causas de morte súbita. Embora não haja tratamento para o paciente já falecido, a análise post-mortem pode fornecer informações valiosas para a família e para a saúde pública. Residentes devem estar cientes dessa classificação para uma interpretação completa dos casos de morte súbita cardíaca.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o Infarto Agudo do Miocárdio Tipo 3?

O IAM Tipo 3 é caracterizado por morte súbita cardíaca, com sintomas sugestivos de isquemia miocárdica e alterações de ECG (como supradesnivelamento de ST), onde o óbito ocorre antes da coleta de amostras de sangue para biomarcadores cardíacos ou antes que estes atinjam níveis diagnósticos. A necropsia pode revelar necrose miocárdica aguda.

Qual a diferença entre IAM Tipo 1 e Tipo 3?

O IAM Tipo 1 é causado por ruptura de placa aterosclerótica com trombose coronariana. O Tipo 3 é uma morte súbita com forte suspeita de IAM, mas sem confirmação laboratorial antes do óbito, e pode ocorrer mesmo na ausência de aterosclerose coronariana significativa, como em casos de espasmo ou dissecção aguda não detectada.

Em que situações o IAM Tipo 3 é mais frequentemente diagnosticado?

O IAM Tipo 3 é diagnosticado em casos de morte súbita inesperada, onde há evidências clínicas (sintomas, ECG) de isquemia miocárdica aguda e a necropsia revela necrose miocárdica. É comum em pacientes que não chegam ao hospital ou falecem rapidamente antes da elevação dos biomarcadores, como em atletas jovens.

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