Classificação e Diagnóstico das Epilepsias: Guia Prático

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Epilepsia é uma doença, que se caracteriza por uma predisposição permanente do cérebro em originar crises epilépticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais dessas crises. Sobre essa doença, leia as afirmações abaixo. I. As crises epiléticas de início generalizado são subdivididas em motoras (tônico-clônicas, clônicas, tônicas, mioclônicas, mioclônico-tônico-clônicas, mioclônico-atónicas, atônicas, espasmos epilépticos) e não motoras, as clássicas crises de ausência. II. As crises epilépticas focais iniciam-se de forma localizada, numa área específica do cérebro, e suas manifestações clínicas dependem do local de início e da propagação da descarga epileptogênica para outras áreas. III. As epilepsias podem ser causadas por lesões estruturais, alterações genéticas, erros inatos do metabolismo, doenças neurocutâneas, doenças cromossômicas, doenças mitocondriais, infecciosas, metabólicas ou autoimunes, além de condições adquiridas ao longo da vida (trauma, AVC e etilismo). IV. Os exames complementares devem ser orientados pelos achados da história do paciente e do exame físico. O principal exame é o eletroencefalograma (EEG), cujo papel é auxiliar diagnóstico da doença. O EEG é capaz de, quando alterado, identificar o tipo e a localização da atividade epileptiforme e orientar na classificação da síndrome epiléptica e na escolha do fármaco antiepiléptico. Estão corretas:

Alternativas

  1. A) I, II, III e IV.
  2. B) II e III, apenas.
  3. C) III e IV, apenas.
  4. D) I e IV, apenas.

Pérola Clínica

Epilepsia = Predisposição persistente a crises + EEG para classificar e guiar terapia.

Resumo-Chave

O diagnóstico de epilepsia é clínico, mas o EEG é essencial para classificar o tipo de crise (focal vs generalizada) e escolher o fármaco antiepiléptico ideal.

Contexto Educacional

A epilepsia é uma condição neurológica crônica com diversas etiologias, desde cicatrizes estruturais (como após um AVC ou trauma) até causas genéticas e autoimunes. A classificação atual da ILAE (2017) enfatiza a importância de identificar o início da crise (focal, generalizado ou desconhecido) para direcionar o tratamento. O manejo farmacológico evoluiu significativamente, com drogas de terceira geração oferecendo menos interações medicamentosas e melhores perfis de tolerabilidade. Além do controle das crises, o médico deve estar atento às comorbidades psiquiátricas, como depressão e ansiedade, que são prevalentes nessa população e impactam severamente a qualidade de vida. O EEG permanece como o 'padrão-ouro' para suporte diagnóstico, mas deve sempre ser interpretado à luz da semiologia clínica das crises.

Perguntas Frequentes

Como se define epilepsia atualmente?

Segundo a ILAE, a epilepsia é definida por: 1) Pelo menos duas crises não provocadas ocorrendo com intervalo > 24h; 2) Uma crise não provocada e uma probabilidade de crises futuras semelhante ao risco de recorrência geral (pelo menos 60%) nos próximos 10 anos; ou 3) Diagnóstico de uma síndrome epiléptica específica.

Qual a diferença entre crise focal e generalizada?

As crises focais originam-se em redes limitadas a um hemisfério cerebral, podendo ser discretamente localizadas ou mais amplamente distribuídas. Já as crises generalizadas originam-se em algum ponto e engajam rapidamente redes distribuídas bilateralmente. Essa distinção é vital, pois alguns fármacos (como a carbamazepina) podem exacerbar crises generalizadas (como ausências).

Um EEG normal afasta o diagnóstico?

Não. O EEG de rotina tem sensibilidade limitada (cerca de 30-50% na primeira realização). Um exame normal não exclui epilepsia, assim como achados inespecíficos não confirmam. O papel do EEG é auxiliar na classificação sindrômica e na localização do foco em pacientes com diagnóstico clínico já suspeito.

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