Tratamento Inicial da Hipertensão Estágio 1: Monoterapia ou Combinação?

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 60 anos de idade, sem queixas, com índice cintura/quadril = 90cm, índice tornozelo/braquial = 1,0, taxa de filtração glomerular calculada = 95 mL/minuto e pressão arterial (PA) = 155 x 90 mmHg. Exames complementares: eletrocardiograma normal, monitorização ambulatorial da pressão arterial com média da PA em 24h = 140 x 90 mmHg, glicemia de jejum = 105 mg/dL, hemoglobina glicada - HbA1C = 6,0%. De acordo com as “Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial- 2020”, a adequada opção terapêutica para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Monoterapia inicial com betabloqueador adrenérgico; reavaliar em 4 semanas.
  2. B) Monoterapia inicial com diurético; reavaliar em 6 semanas.
  3. C) Dupla associação de anti-hipertensivos; reavaliar em 6 semanas.
  4. D) Tripla associação de anti-hipertensivos; reavaliar em 4 semanas.

Pérola Clínica

HAS estágio 1 (PA 140-159/90-99 mmHg) sem alto risco → Monoterapia inicial (diurético, IECA/BRA, BCC).

Resumo-Chave

O paciente apresenta HAS estágio 1 (PA 155/90 mmHg no consultório e 140/90 mmHg no MAPA), sem evidências de lesão de órgão-alvo ou alto risco cardiovascular (glicemia e HbA1c indicam pré-diabetes, não DM). Nesses casos, as diretrizes recomendam monoterapia inicial, sendo diuréticos tiazídicos uma das opções preferenciais.

Contexto Educacional

O tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) é guiado pela classificação da pressão arterial e pela estratificação do risco cardiovascular global do paciente. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial de 2020 fornecem um roteiro claro para a tomada de decisão terapêutica, que inclui tanto as modificações do estilo de vida quanto a terapia farmacológica. Para pacientes com HAS estágio 1 (pressão arterial de consultório entre 140-159/90-99 mmHg) e risco cardiovascular baixo a moderado, a monoterapia é a estratégia inicial preferencial. As classes de medicamentos recomendadas para o início do tratamento incluem diuréticos tiazídicos, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC). A escolha da classe pode ser individualizada com base em comorbidades e tolerância. A reavaliação da resposta terapêutica é fundamental, geralmente ocorrendo em 4 a 6 semanas após o início ou ajuste da medicação. Se a monoterapia não for suficiente para atingir as metas pressóricas, a próxima etapa é a associação de dois anti-hipertensivos de classes diferentes. A terapia combinada inicial (dupla ou tripla associação) é reservada para pacientes com HAS estágio 2 ou 3, ou para aqueles com alto/muito alto risco cardiovascular, mesmo com HAS estágio 1.

Perguntas Frequentes

Quando a monoterapia é indicada para o tratamento da HAS?

A monoterapia é indicada como tratamento inicial para a maioria dos pacientes com HAS estágio 1 (PA 140-159/90-99 mmHg) e risco cardiovascular baixo a moderado.

Quais as classes de medicamentos preferenciais para monoterapia inicial na HAS?

As classes preferenciais incluem diuréticos tiazídicos, inibidores da ECA (IECA), bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC).

Como o MAPA auxilia na decisão terapêutica da HAS?

O MAPA confirma o diagnóstico de HAS, exclui hipertensão do avental branco, avalia a carga pressórica e o padrão circadiano, sendo crucial para a estratificação de risco e o ajuste do tratamento.

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