HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Paciente masculino com 50 anos, com quadro de dor no quadrante inferior esquerdo há dois dias, com piora há 8 horas, com febre e dor à descompressão brusca em todos os quadrantes do abdome. Foi indicado tratamento cirúrgico, evidenciando quadro de peritonite purulenta difusa em decorrência de diverticulite aguda do sigmoide. Segundo a classificação de Hinchey, este paciente apresenta-se no:
Diverticulite com peritonite purulenta difusa = Hinchey III → Tratamento cirúrgico imediato.
A classificação de Hinchey é essencial para guiar o manejo da diverticulite aguda complicada. Peritonite purulenta difusa, como descrito no caso, indica um estágio avançado (Hinchey III) que requer intervenção cirúrgica de emergência para controle da sepse e da fonte de contaminação.
A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em pacientes acima de 40 anos, caracterizada pela inflamação de divertículos no cólon, mais frequentemente no sigmoide. A sua importância clínica reside na capacidade de evoluir para complicações graves, como abscessos, perfuração e peritonite, que exigem intervenção urgente. A classificação de Hinchey é uma ferramenta fundamental para estratificar a gravidade e guiar o tratamento. A fisiopatologia envolve a obstrução do colo do divertículo por fecalito, levando à inflamação, isquemia e, eventualmente, microperfuração ou perfuração macroscópica. O diagnóstico é feito com base na história clínica (dor abdominal no quadrante inferior esquerdo, febre, alteração do hábito intestinal) e exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada o padrão-ouro. A classificação de Hinchey descreve a extensão da complicação, desde um flegmão pericólico até peritonite fecal difusa. O caso descrito, com peritonite purulenta difusa, corresponde a Hinchey III. O tratamento da diverticulite aguda varia conforme a gravidade. Casos não complicados podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos e dieta. No entanto, em casos de diverticulite complicada, como os estágios de Hinchey, a abordagem se torna mais agressiva. Para Hinchey III (peritonite purulenta difusa), a conduta padrão é a exploração cirúrgica de emergência, com ressecção do segmento colônico afetado e, frequentemente, a realização de uma colostomia temporária (cirurgia de Hartmann), devido ao risco de sepse e mortalidade associada à peritonite. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção adequada.
A classificação de Hinchey divide a diverticulite aguda complicada em: Estágio I (abscesso pericólico ou flegmão), Estágio II (abscesso pélvico, distante ou retroperitoneal), Estágio III (peritonite purulenta difusa) e Estágio IV (peritonite fecal difusa).
A classificação de Hinchey é crucial para determinar a abordagem terapêutica. Estágios iniciais (I e II) podem ser tratados com antibióticos e/ou drenagem percutânea, enquanto estágios avançados (III e IV) geralmente exigem tratamento cirúrgico de emergência, como ressecção do segmento afetado e colostomia (cirurgia de Hartmann).
Na peritonite purulenta difusa (Hinchey III), há extravasamento de pus na cavidade peritoneal, mas sem material fecal grosseiro. Na peritonite fecal difusa (Hinchey IV), há extravasamento de fezes, indicando uma perfuração mais extensa e maior contaminação, com pior prognóstico.
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