UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 18a, vítima de atropelamento, é trazida ao Centro de Trauma pelo Corpo de Bombeiros, consciente, orientada, com dor torácica, dispneia e presença de fratura exposta de fêmur à direita. Exame físico: Escala de coma de Glasgow=15; FC=118bpm; PA=80/42mmHg; FR=32irpm; oximetria de pulso=92% em ar ambiente; pulmões: murmúrio vesicular diminuído à direita com submacicez à percussão. DE ACORDO COM O ATLS, A CLASSIFICAÇÃO DE HEMORRAGIA DESTA PACIENTE É:
FC >120, PA ↓, FR ↑, SpO2 ↓, fratura exposta → Choque Hemorrágico Classe III/IV (ATLS).
A paciente apresenta sinais clássicos de choque hemorrágico grave: taquicardia, hipotensão, taquipneia e hipoxemia, além de uma fonte óbvia de sangramento (fratura exposta de fêmur e provável hemotórax). A hipotensão é um marcador tardio e grave, indicando perda sanguínea significativa, geralmente acima de 30% do volume circulante, classificando-a como Classe III ou IV pelo ATLS.
O choque hemorrágico é uma das principais causas de morte evitável no trauma. A classificação do choque pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support) é uma ferramenta essencial para estimar a perda sanguínea e guiar a ressuscitação. Compreender os sinais e sintomas de cada classe de choque permite uma intervenção rápida e eficaz, melhorando o prognóstico dos pacientes traumatizados. A avaliação contínua dos sinais vitais e do estado de consciência é fundamental para monitorar a resposta à ressuscitação. A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve a diminuição do volume intravascular, levando à redução do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. O corpo tenta compensar com taquicardia, vasoconstrição periférica e taquipneia. No entanto, quando a perda sanguínea é substancial (acima de 30%), os mecanismos compensatórios falham, resultando em hipotensão e disfunção orgânica. O diagnóstico precoce e a identificação das fontes de sangramento são cruciais para o manejo. O tratamento visa restaurar o volume intravascular e controlar a hemorragia. Isso inclui acesso venoso, reposição volêmica com cristaloides e, em casos de choque grave, transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) em proporções balanceadas. O controle definitivo da hemorragia, seja cirúrgico ou por outras intervenções, é o objetivo final. Residentes devem dominar a classificação do choque e os princípios da ressuscitação volêmica para otimizar o cuidado ao paciente traumatizado.
Os critérios incluem frequência cardíaca, pressão arterial, pressão de pulso, frequência respiratória, débito urinário, estado mental e perda sanguínea estimada. A hipotensão é um sinal tardio e indica choque mais avançado (Classe III ou IV).
Ambas as condições são fontes potenciais de perda sanguínea significativa. Uma fratura de fêmur pode causar sangramento de 1 a 2 litros, e um hemotórax pode acumular grandes volumes de sangue na cavidade pleural, contribuindo para o choque.
A conduta inicial envolve o controle da via aérea e ventilação, controle da hemorragia externa, acesso venoso calibroso e reposição volêmica agressiva com cristaloides, seguida por hemoderivados se necessário, conforme o protocolo de transfusão maciça.
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