UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Homem, 70 anos de idade, com diagnóstico de miocardiopatia dilatada por doença de Chagas é admitido no PS por piora da dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, edema de membros inferiores bilateralmente até a região escrotal e ganho de peso. Exame físico: sonolência, PA = 90/50 mmHg, FC = 100 bpm em ritmo sinusal, FR = 30 rpm, SpO₂ = 90% em ar ambiente, tempo de enchimento capilar = 4 s, ausculta cardíaca com presença de terceira bulha e sopro holossistólico de foco mitral 3+/6+, ausculta pulmonar reduzida em campos médio-inferiores bilateralmente. Qual é o perfil clínico-hemodinâmico da insuficiência cardíaca e a estratégia terapêutica inicial mais adequada?
IC descompensada com congestão + hipoperfusão (Perfil C) → diurético (furosemida) + inotrópico (dobutamina).
O paciente apresenta sinais de congestão (dispneia, ortopneia, DPN, edema, crepitantes) e hipoperfusão (sonolência, PA baixa, TEC > 3s, SpO2 baixa). Isso o classifica no Perfil C (quente e úmido) da insuficiência cardíaca descompensada. A estratégia inicial envolve diuréticos para a congestão e inotrópicos para melhorar o débito cardíaco e a perfusão.
A insuficiência cardíaca (IC) descompensada é uma das principais causas de internação hospitalar e representa um desafio clínico significativo. A classificação hemodinâmica de Stevenson (perfis A, B, L, C) é uma ferramenta crucial para guiar o tratamento inicial, baseando-se na presença de congestão ("úmido") e/ou hipoperfusão ("frio"). O reconhecimento rápido do perfil do paciente é vital para instituir a terapia mais adequada e melhorar os desfechos. O paciente do caso apresenta múltiplos sinais de congestão (dispneia, ortopneia, DPN, edema, crepitantes, ganho de peso) e de hipoperfusão (sonolência, hipotensão, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, SpO2 baixa). Essa combinação o enquadra no Perfil C ("frio e úmido"), que indica um quadro grave de IC descompensada com baixo débito cardíaco e congestão sistêmica e pulmonar. A miocardiopatia chagásica é uma etiologia comum de IC dilatada em regiões endêmicas. A estratégia terapêutica inicial para o Perfil C é agressiva e visa tanto a redução da congestão quanto a melhora da perfusão. A furosemida, um diurético de alça, é essencial para aliviar a sobrecarga volêmica. A dobutamina, um agente inotrópico positivo, é indicada para aumentar a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco, melhorando a perfusão tecidual em pacientes com sinais de hipoperfusão e hipotensão. A combinação desses fármacos busca estabilizar o paciente e reverter o quadro de descompensação.
O Perfil C da insuficiência cardíaca descompensada é caracterizado pela presença de sinais e sintomas de congestão (úmido) e de hipoperfusão (frio). Sinais de congestão incluem dispneia, ortopneia, edema, crepitantes; sinais de hipoperfusão incluem hipotensão, extremidades frias, sonolência, tempo de enchimento capilar prolongado.
A dobutamina é um agente inotrópico positivo que aumenta a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco, além de ter um efeito vasodilatador leve. É indicada no Perfil C para melhorar a perfusão tecidual em pacientes com baixo débito cardíaco e sinais de hipoperfusão, sem causar hipotensão significativa.
A furosemida é um diurético de alça potente, fundamental no manejo da congestão na insuficiência cardíaca descompensada. Ela promove a rápida eliminação de volume, reduzindo a pré-carga cardíaca, aliviando a dispneia, o edema e a congestão pulmonar, melhorando os sintomas do paciente.
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