UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Homem, 60 anos, sem comorbidades, assintomático, foi submetido a uma colonoscopia preventiva, que evidenciou um pólipo em reto superior, pediculado, com 2 cm de diâmetro no polo cefálico. Foi realizado polipectomia com alça diatérmica com corrente de coagulação. Exame histopatológico da peça: carcinoma invadindo a submucosa, na junção entre a cabeça e o pedículo do pólipo, com margem de ressecção livre (nível 2 na classificação de Haggit). Pode-se afirmar que a melhor conduta, a seguir, é:
Pólipo pediculado Haggitt 1-3 + margem livre (>1mm) + bem diferenciado = Acompanhamento.
Pólipos pediculados com invasão submucosa restrita à cabeça ou colo (Haggitt 1-3) e critérios de baixo risco não exigem cirurgia radical se a ressecção endoscópica foi completa.
O manejo do pólipo maligno (carcinoma T1) é um desafio clínico que exige correlação estreita entre endoscopia e patologia. A invasão da submucosa confere risco de metástase para linfonodos regionais (cerca de 10-15% no T1 geral). No entanto, em pólipos pediculados onde a invasão está limitada à porção superior do pedículo (Haggitt 1-3), esse risco é inferior a 1%, tornando a cirurgia radical (como a retossigmoidectomia) desnecessária, desde que as margens estejam livres e não haja outros fatores de mau risco histológico.
A classificação de Haggitt é aplicada a pólipos pediculados com carcinoma invasor (invasão além da muscular da mucosa). O Nível 0 é o carcinoma in situ. O Nível 1 envolve a cabeça do pólipo; o Nível 2 o colo (junção cabeça/pedículo); o Nível 3 o pedículo; e o Nível 4 a base do pólipo ou invasão da submucosa da parede colônica adjacente. Pólipos sésseis são, por definição, Haggitt 4.
Para considerar a polipectomia endoscópica como tratamento definitivo, o pólipo deve apresentar: ressecção completa com margem histológica livre (>1mm), grau de diferenciação histológica bom ou moderado (G1 ou G2), e ausência de invasão angiolinfática. No caso de pólipos pediculados, níveis de Haggitt 1, 2 e 3 são geralmente considerados de baixo risco para metástase linfonodal.
O acompanhamento deve ser rigoroso. Geralmente recomenda-se a primeira colonoscopia de controle em 3 a 6 meses para avaliar o local da cicatriz da polipectomia e descartar recidiva local. Se normal, o intervalo pode ser estendido para 1 ano e, posteriormente, conforme os protocolos de rastreamento de câncer colorretal, dependendo dos achados histológicos e da qualidade do preparo.
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