INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um adolescente com 12 anos de idade é admitido na Emergência com quadro de asma brônquica. A mãe refere que seu filho apresenta quadro de asma desde os 4 anos de idade e que, diariamente, costuma ter sintomas respiratórios e, semanalmente, despertar noturno. Refere necessidade de ministrar beta -2- agonista quase diariamente e que a criança tem limitações das atividades físicas por haver exacerbação do quadro asmático. Ao exame físico, a criança está consciente, orientada, com desconforto respiratório moderado, saturação de oxigênio (94%), per- fusão capilar periférica de 2 segundos. A frequência cardíaca é de 110 bpm. Pressão arterial = 100 x 70 mmHg, pulsos periféricos e centrais simetricamente palpáveis. De acordo com o IV Consenso Brasileiro para o Manejo da Asma, o quadro relatado classifica-se como:
Sintomas diários + despertar noturno semanal + β2 diário = Asma Persistente Moderada.
A classificação da gravidade da asma baseia-se na frequência dos sintomas diurnos, despertares noturnos, necessidade de medicação de resgate e limitação de atividades físicas antes do início do tratamento de manutenção.
A classificação da asma evoluiu de uma avaliação de 'gravidade' (estática, antes do tratamento) para uma avaliação de 'nível de controle' (dinâmica, durante o tratamento). No entanto, para fins de provas de residência e início de conduta, a classificação clássica do IV Consenso Brasileiro ainda é muito utilizada. O caso descreve um paciente com asma não controlada e gravidade moderada. A presença de sintomas diários e despertares noturnos semanais indica uma inflamação brônquica persistente que exige terapia de manutenção regular. A saturação de 94% e a frequência cardíaca de 110 bpm no momento da admissão sugerem uma exacerbação de intensidade moderada, mas a classificação solicitada refere-se ao quadro crônico relatado pela mãe.
De acordo com os consensos tradicionais (como o IV Consenso Brasileiro e versões anteriores do GINA para classificação de gravidade pré-tratamento), a asma persistente moderada é caracterizada por: 1) Sintomas diários; 2) Despertares noturnos mais de uma vez por semana (mas não diários); 3) Uso diário de beta-2 agonista de curta duração para alívio de sintomas; 4) Alguma limitação nas atividades diárias e exercícios físicos; 5) Função pulmonar (VEF1 ou PFE) entre 60% e 80% do previsto. No caso clínico apresentado, o adolescente preenche os critérios de sintomas diários, despertares semanais e uso quase diário de medicação, enquadrando-se perfeitamente nesta categoria.
A diferenciação reside na frequência e no impacto dos sintomas. Na asma persistente leve, os sintomas ocorrem mais de uma vez por semana, mas menos de uma vez por dia; os despertares noturnos ocorrem mais de duas vezes por mês, mas menos de uma vez por semana; e a função pulmonar costuma estar normal (VEF1 ≥ 80%). Já na moderada, os sintomas passam a ser diários, os despertares noturnos tornam-se semanais e já existe uma queda perceptível na função pulmonar ou maior limitação física. O uso de medicação de resgate 'quase diário' é um marcador forte para a classificação moderada.
Para pacientes classificados com asma persistente moderada, o tratamento de manutenção (Etapa 3 do GINA/Consenso Brasileiro) geralmente requer a associação de um Corticoide Inalatório (CI) em dose baixa ou média com um Beta-2 Agonista de Longa Duração (LABA). Alternativamente, pode-se usar dose média de CI isoladamente. É fundamental também prescrever medicação de resgate (preferencialmente a combinação CI-Formoterol ou SABA) e realizar a educação do paciente sobre técnica inalatória e plano de ação para crises. O objetivo é atingir o controle total dos sintomas e reduzir o risco de exacerbações futuras.
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