UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Homem, 55 anos de idade, refere dispneia aos esforços de longa data, intensificada no último ano, com necessidade de descansar após andar cerca de 50 metros no plano. Tem tosse produtiva há 2 anos e sibilos eventuais. Procurou PS três vezes no último ano, sendo o último episódio há 2 meses, durante os quais foi medicado com nebulização e antibióticos. Está em uso de salbutamol spray, 02 jatos a cada 4 horas, com alívio parcial dos sintomas. Tem hipertensão arterial (em uso de losartana 50 mg/dia) e é tabagista de 60 anos-maço. Exames realizados: hemoglobina = 15,0 g/dL; leucócitos totais = 8500 céls/mm³ (350 eosinófilos/mm³); radiografia de tórax = hiperinsuflação pulmonar; espirometria = VEF1 pós-broncodilatador 35% do previsto. Considerando o diagnóstico mais provável e as diretrizes GOLD 2022 (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), qual é o estágio atual da doença e a terapia farmacológica mais indicada?
DPOC GOLD 3D → VEF1 <50% + ≥2 exacerbações/ano ou hospitalização. Tratamento: LAMA+LABA+CI (se eosinófilos ↑).
A classificação GOLD para DPOC combina o grau de obstrução (VEF1) com o nível de sintomas e histórico de exacerbações para guiar o tratamento. Pacientes GOLD D necessitam de terapia mais intensiva, frequentemente com broncodilatadores duplos e, se indicado, corticosteroide inalatório.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e prevenível, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo a principal causa. A compreensão da classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) é fundamental para o diagnóstico, estadiamento e manejo adequado da doença, impactando diretamente a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. As diretrizes GOLD são atualizadas anualmente, e o conhecimento das últimas recomendações é essencial para residentes. O estadiamento da DPOC envolve a avaliação espirométrica (VEF1 pós-broncodilatador) para determinar o grau de obstrução (GOLD 1 a 4) e a avaliação dos sintomas e risco de exacerbações para classificar o paciente em um dos grupos (A, B, C ou D). Pacientes no grupo D, como o do caso, apresentam alto risco de exacerbações e sintomas mais intensos, necessitando de uma abordagem terapêutica mais robusta. A presença de eosinofilia sanguínea (>300 células/mm³) é um biomarcador importante que sugere a inclusão de corticosteroide inalatório (CI) na terapia. O tratamento farmacológico da DPOC visa reduzir os sintomas, a frequência e a gravidade das exacerbações, e melhorar a tolerância ao exercício. Para pacientes no grupo D, a terapia inicial geralmente envolve a combinação de um broncodilatador de longa ação muscarínico (LAMA) e um broncodilatador de longa ação beta-2 agonista (LABA). Se houver eosinofilia ou histórico de exacerbações, a adição de um CI (LABA/CI ou LAMA/LABA/CI) é fortemente recomendada. O acompanhamento regular e a reavaliação da resposta ao tratamento são cruciais para otimizar o manejo da DPOC.
A classificação GOLD da DPOC é baseada em dois pilares: o grau de obstrução do fluxo aéreo (avaliado pelo VEF1 pós-broncodilatador) e a avaliação do impacto dos sintomas e risco de exacerbações (grupos A, B, C, D). O VEF1 define os estágios 1 a 4, enquanto o número de exacerbações e a intensidade dos sintomas (mMRC ou CAT) definem os grupos.
O número de exacerbações é crucial para determinar o grupo de risco do paciente. Pacientes com duas ou mais exacerbações moderadas ou pelo menos uma exacerbação grave (com hospitalização) no último ano são classificados nos grupos C ou D, indicando maior risco e necessidade de tratamento mais intensivo.
O uso de CI na DPOC é recomendado para pacientes nos grupos C ou D, especialmente aqueles com histórico de exacerbações frequentes e/ou níveis elevados de eosinófilos no sangue (≥300 células/mm³), pois indica uma resposta inflamatória que pode se beneficiar do CI em combinação com LABA/LAMA.
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