DPOC: Classificação GOLD e Grupos de Risco para Residentes

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

De acordo com o caso clínico, defina o GOLD (1, 2, 3 ou 4) e o grupo (A, B, C ou D). Paciente, 52 anos, tabagista (carga tabágica ≥ a 35 maços ao ano), vem apresentando quadro de dispneia progressiva (atualmente referindo andar mais devagar do que pessoas da mesma idade devido à falta de ar ou quando caminha no plano), tosse crônica, com secreção mucóide e sibilância. Negou exacerbação e internação nos últimos 12 meses devido ao quadro respiratório. A espirometria pós-broncodilatadora mostrava um VEF1 55%, CVF 75% e uma relação VEF1/CVF 69%. Qual das alternativas abaixo está CORRETA? 

Alternativas

  1. A) GOLD 3, grupo D. 
  2. B) GOLD 4, grupo C. 
  3. C) GOLD 1, grupo A. 
  4. D) GOLD 2, grupo B. 

Pérola Clínica

DPOC: VEF1 50-79% = GOLD 2. mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10 + <2 exacerbações/ano = Grupo B.

Resumo-Chave

A classificação GOLD para DPOC combina o grau de obstrução das vias aéreas (VEF1 pós-broncodilatador) com a gravidade dos sintomas (mMRC ou CAT) e o histórico de exacerbações. O VEF1 de 55% indica GOLD 2, e a dispneia significativa sem exacerbações recentes coloca o paciente no Grupo B.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e debilitante, sendo uma das principais causas de morbimortalidade global. A compreensão de sua classificação, conforme as diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), é fundamental para residentes, pois orienta o diagnóstico, a avaliação da gravidade e, crucialmente, as estratégias terapêuticas. A prevalência da DPOC está intrinsecamente ligada ao tabagismo e à exposição a outros poluentes, tornando a identificação precoce e o manejo adequado essenciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir as exacerbações. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar, levando à limitação irreversível do fluxo aéreo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria pós-broncodilatadora, que revela uma relação VEF1/CVF < 0.70. A classificação GOLD integra o VEF1 (para estadiamento da obstrução), a escala mMRC ou o CAT (para avaliação dos sintomas) e o histórico de exacerbações para categorizar os pacientes em grupos A, B, C ou D, o que direciona a escolha do tratamento farmacológico. O tratamento da DPOC é multifacetado, incluindo cessação do tabagismo, reabilitação pulmonar e farmacoterapia com broncodilatadores (beta-2 agonistas de longa ação - LABA e anticolinérgicos de longa ação - LAMA), e em alguns casos, corticosteroides inalatórios (CI). A correta classificação do paciente no sistema GOLD permite uma abordagem terapêutica personalizada, visando o controle dos sintomas, a redução do risco de exacerbações e a melhoria da função pulmonar e qualidade de vida. Residentes devem dominar essa classificação para otimizar o manejo clínico e prognóstico dos pacientes com DPOC.

Perguntas Frequentes

Como o VEF1 é usado na classificação GOLD da DPOC?

O VEF1 pós-broncodilatador é usado para determinar o grau de obstrução do fluxo aéreo: GOLD 1 (leve) se VEF1 ≥ 80%, GOLD 2 (moderado) se VEF1 50-79%, GOLD 3 (grave) se VEF1 30-49%, e GOLD 4 (muito grave) se VEF1 < 30% do previsto.

Quais são os critérios para definir os grupos A, B, C e D na DPOC?

Os grupos são definidos pela intensidade dos sintomas (avaliados por mMRC ou CAT) e pelo histórico de exacerbações no último ano. Grupos A e C têm poucos sintomas, B e D têm muitos. Grupos A e B têm poucas exacerbações, C e D têm muitas (≥2 moderadas ou ≥1 grave).

Qual a importância da relação VEF1/CVF na DPOC?

A relação VEF1/CVF < 0.70 (ou < 70% do previsto) após broncodilatador é o critério espirométrico para confirmar a presença de obstrução persistente do fluxo aéreo, que é a marca registrada da DPOC.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo