DPOC GOLD 2019: Classificação e Estadiamento Completo

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Paciente C. W. Q, masculino, 62 anos, ex-tabagista 90 anos-maço, cessou o uso há 6 anos. Vem para consulta rotineira de acompanhamento do DPOC, refere que mantém dispneia ao andar 100 metros, com necessidade de parar para descansar durante o percurso. Atinge 14 pontos ao questionário CAT e relembra que no último ano houve necessidade de uso domiciliar de um ciclo de antibiótico e corticóide oral pelo quadro pulmonar. Traz consigo nova espirometria com VEF1 de 30% pré-broncodilatador e 35% pós-broncodilatador. Tendo em vista o GOLD 2019, qual a classificação desse paciente?

Alternativas

  1. A) 3B
  2. B) 4D
  3. C) 3A
  4. D) 4C

Pérola Clínica

DPOC GOLD 2019: VEF1 30-50% (Estágio 3) + CAT ≥ 10 ou ≥ 2 exacerbações/1 internação (Grupo B/D).

Resumo-Chave

A classificação GOLD 2019 para DPOC combina o grau de obstrução do fluxo aéreo (VEF1) com a avaliação de sintomas (mMRC ou CAT) e histórico de exacerbações. O paciente apresenta VEF1 de 35% (pós-broncodilatador), o que o coloca no estágio 3 (VEF1 entre 30-50%). Com CAT de 14 pontos e histórico de 2 exacerbações (antibiótico e corticoide oral), ele se enquadra no Grupo B. Exacerbações que necessitaram de tratamento sistêmico são consideradas moderadas, e com CAT > 10, o paciente é classificado como Grupo B.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos. A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) é fundamental para guiar o tratamento. A classificação GOLD 2019 utiliza uma abordagem multidimensional, combinando a gravidade da obstrução do fluxo aéreo (baseada no VEF1 pós-broncodilatador), o nível de sintomas (avaliado por questionários como mMRC ou CAT) e o histórico de exacerbações. O VEF1 de 35% do paciente o coloca no estágio 3 (grave). O CAT de 14 pontos indica alta carga sintomática. O histórico de duas exacerbações que necessitaram de antibiótico e corticoide oral são consideradas exacerbações moderadas. Pacientes com alta carga sintomática (CAT ≥ 10) e duas ou mais exacerbações moderadas (ou uma que levou à internação) são classificados no Grupo D. No entanto, se o paciente teve 2 exacerbações moderadas e CAT ≥ 10, ele se enquadra no Grupo B. A questão indica 2 exacerbações que necessitaram de antibiótico e corticoide oral, o que as caracteriza como moderadas. Portanto, VEF1 estágio 3, CAT 14 (alta sintomatologia) e 2 exacerbações moderadas levam à classificação 3B.

Perguntas Frequentes

Como o VEF1 é usado na classificação GOLD do DPOC?

O VEF1 pós-broncodilatador é usado para determinar o estágio de obstrução do fluxo aéreo (GOLD 1 a 4), sendo que VEF1 entre 30-50% do previsto classifica o paciente no estágio 3.

O que o questionário CAT avalia no DPOC?

O questionário CAT (COPD Assessment Test) avalia o impacto dos sintomas do DPOC na qualidade de vida do paciente, com pontuações ≥ 10 indicando maior carga sintomática.

Quais os critérios para classificar um paciente DPOC no Grupo B?

Um paciente com DPOC é classificado no Grupo B se tiver VEF1 em qualquer estágio, apresentar alta carga sintomática (mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10) e histórico de 0 ou 1 exacerbação moderada (sem internação) no último ano.

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