INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma mulher com 75 anos de idade, previamente hígida e ativa, ao ser atendida em uma Unidade Básica de Saúde, refere que há 2 dias está com dor intensa na região coxo-femoral direita, que irradia para a região medial da coxa e joelho, o que lhe causa grande dificuldade para deambular. Quando questionada sobre queda, a paciente nega a ocorrência, assim como os familiares que a acompanham. Ela refere, ainda, tontura esporádica ao levantar-se da cama e nega outros sintomas, outras comorbidades ou uso contínuo de medicação. Tem joelhos valgos. Ao exame físico, apresenta pressão arterial = 150 x 100 mmHg e tanto a ausculta cardiorrespiratória quanto o restante do exame físico são normais. Os exames de imagem mostram uma fratura de colo de fêmur estágio II da Classificação de Garden (fraturas sem desvio). Qual deve ser a conduta terapêutica adequada nesse caso?
Garden I e II (sem desvio) → Osteossíntese (preservação da cabeça femoral).
Fraturas de colo de fêmur sem desvio (Garden I e II) em pacientes com boa reserva funcional devem ser tratadas com fixação interna para preservar a anatomia original.
As fraturas do colo do fêmur são classificadas como intracapsulares. A vascularização da cabeça femoral é precária e depende principalmente das artérias retinaculares posteriores. Nas fraturas Garden I (incompletas/impactadas em valgo) e Garden II (completas sem desvio), essa vascularização geralmente está preservada. Para uma paciente de 75 anos previamente hígida e ativa, o objetivo é o retorno precoce à deambulação. A osteossíntese (geralmente com parafusos canulados ou DHS) é o tratamento de escolha, pois é um procedimento menos invasivo que a artroplastia e mantém a articulação nativa. A redução aberta (opção A) pode ser necessária se houver qualquer dificuldade na manutenção do alinhamento, embora em fraturas sem desvio a fixação in situ seja comum.
A classificação de Garden foca no desvio das trabéculas ósseas. O estágio II refere-se a uma fratura completa, porém sem desvio, onde o alinhamento das trabéculas entre a cabeça femoral e o acetábulo permanece preservado.
Embora a fratura não esteja desviada, o tratamento conservador apresenta alto risco de desvio secundário (instabilidade), o que levaria a complicações graves. A cirurgia permite mobilização precoce e reduz o risco de necrose avascular.
Nas fraturas Garden I e II (estáveis), opta-se pela preservação da cabeça femoral (osteossíntese). Nas Garden III e IV (desviadas), o risco de necrose avascular é muito alto, sendo a artroplastia a escolha preferencial em idosos.
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