Classificação NYHA e Estenose Mitral na Gestação

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

MIS, 20 anos, negra, Gesta I, Para 0. Fez pré-natal regularmente. Foi admitida na Maternidade do HPC queixando-se de dor em baixo ventre e perda de tampão mucoso. IG 38 semanas e 2 dias. HPP: Refere febre reumática na infância. O ecocardiograma recente revelou estenose mitral leve, com função ventricular preservada. No segundo trimestre passou a apresentar dispneia aos grandes esforços e edema MMII +/4, não foi medicada, sendo recomendado o repouso. O exame físico na admissão: encontrava-se lúcida, corada, eupnéica, FC = 92bpm, PA: 100/60 mmHg; AC sopro sistólico no foco mitral +/4+. Pulmões limpos FU 34cm, BCF: 140 bpm; AU =150UA. Toque colo apagado 90%, dilatado para 6cm. Apresentação cefálica: Bolsa íntegra. Como classificar a cardiopatia de acordo com os sintomas?

Alternativas

  1. A) NYHA 0;
  2. B) NYHAI;
  3. C) NYHAII;
  4. D) NYHA III;
  5. E) NYHA IV;

Pérola Clínica

NYHA II = Sintomas aos esforços habituais; NYHA III = Sintomas aos mínimos esforços.

Resumo-Chave

A classificação da NYHA baseia-se na limitação funcional subjetiva. Dispneia aos grandes esforços caracteriza a classe II, enquanto sintomas em repouso definem a classe IV.

Contexto Educacional

A classificação funcional da NYHA é uma ferramenta clínica subjetiva, mas essencial para o manejo de cardiopatas na gestação. Durante o segundo e terceiro trimestres, o débito cardíaco aumenta significativamente (até 50%), o que pode desmascarar ou agravar sintomas de estenose mitral pré-existente. A paciente do caso apresentava dispneia aos grandes esforços, o que a enquadra na Classe II, indicando que a reserva cardíaca está começando a ser comprometida. O manejo dessas pacientes exige vigilância para evitar a evolução para edema agudo de pulmão, especialmente durante o parto e o puerpério imediato, momentos de grandes mudanças volêmicas (autotransfusão uterina). O conhecimento da história de febre reumática e o achado de sopro mitral direcionam o diagnóstico etiológico e a necessidade de acompanhamento em pré-natal de alto risco com equipe multidisciplinar.

Perguntas Frequentes

O que define a classe funcional NYHA II?

A classe funcional II da New York Heart Association (NYHA) é definida por pacientes que apresentam leve limitação da atividade física. Eles sentem-se confortáveis em repouso, mas atividades físicas ordinárias (como caminhar rápido ou subir escadas) resultam em fadiga, palpitações ou dispneia. No contexto da gestante, é crucial diferenciar se esses sintomas excedem o que seria esperado pelas alterações fisiológicas da gravidez, especialmente em cardiopatas conhecidas com lesões valvares prévias.

Como a estenose mitral impacta a gestação?

A estenose mitral é a lesão valvar mais comum decorrente da febre reumática e a que mais frequentemente complica a gravidez. O aumento fisiológico do volume plasmático e da frequência cardíaca na gestação reduz o tempo de enchimento diastólico, elevando a pressão no átrio esquerdo e nos capilares pulmonares. Isso pode levar ao edema agudo de pulmão, mesmo em casos de estenose leve a moderada, devido ao estresse hemodinâmico imposto pelo estado gravídico.

Qual a conduta para gestantes NYHA II com estenose mitral?

Para gestantes em classe funcional II, a conduta inicial envolve repouso relativo, restrição de sódio e monitoramento rigoroso. Se houver progressão de sintomas ou sinais de congestão, podem ser utilizados betabloqueadores (preferencialmente os cardiosseletivos) para reduzir a frequência cardíaca e aumentar o tempo de enchimento diastólico, além de diuréticos se houver evidência de sobrecarga volêmica pulmonar, sempre visando a estabilidade hemodinâmica materna.

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