Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Determinado paciente do sexo masculino, com 68 anos de idade, cardiopata, diabético, hipertenso, apresentando lombalgia havia algumas semanas, fez uso de diclofenaco sódico 150 mg diários por 5 dias, tendo apresentado episódios de melena durante os últimos 4 dias, sem repercussão hemodinâmica. Esse paciente procurou o pronto socorro após apresentar 3 episódios de hematêmese. Ao exame, encontrava-se consciente, sudoreico e com pressão arterial de 90 mmHg × 45 mmHg. Foram-lhe administrados cristaloides, com boa repercussão hemodinâmica. O paciente foi encaminhado para o serviço de endoscopia após estabilização hemodinâmica. A videoendoscopia digestiva alta revelou úlcera de 13 mm × 10 mm de diâmetro no vértice inferior (parede posterior do bulbo duodenal), com bordos elevados, fibrina central, com vaso visível e pontos de hematina.Considerando esse caso clínico, assinale a opção que apresenta a classificação de Forrest adequada e o tratamento adequado ao paciente, respectivamente.
Úlcera com vaso visível (Forrest IIa) → alto risco de ressangramento → tratamento endoscópico.
A classificação de Forrest IIa indica a presença de um vaso não sangrante visível na base da úlcera, conferindo alto risco de ressangramento. O tratamento endoscópico é mandatório e pode incluir injetoterapia com adrenalina, termocoagulação ou clipes metálicos, frequentemente em terapia combinada.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência comum, com úlceras pépticas sendo a principal causa. A classificação de Forrest é crucial para estratificar o risco de ressangramento e guiar a conduta. Pacientes idosos, com comorbidades e em uso de AINEs, como no caso, têm maior risco de desenvolver HDA grave. A classificação de Forrest IIa, caracterizada por um vaso não sangrante visível na base da úlcera, indica um risco significativo de ressangramento (cerca de 50%). O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta, que também permite a intervenção terapêutica. A instabilidade hemodinâmica inicial, como a hipotensão apresentada pelo paciente, reforça a necessidade de estabilização antes do procedimento. O tratamento de úlceras Forrest IIa é endoscópico, visando a hemostasia e a prevenção de ressangramento. A injetoterapia com adrenalina é uma das modalidades, mas a terapia combinada (ex: adrenalina + clipes ou térmica) é geralmente preferida para lesões de alto risco. Após a hemostasia, é fundamental a terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP) em altas doses e a investigação e erradicação de H. pylori, se presente, além da suspensão de AINEs.
A classificação de Forrest categoriza as úlceras pépticas de acordo com o aspecto endoscópico do sangramento, variando de sangramento ativo (Ia, Ib) a sinais de sangramento recente (IIa, IIb, IIc) e lesões sem sinais de sangramento (III).
Úlceras Forrest IIa têm alto risco de ressangramento e exigem tratamento endoscópico, que pode incluir injetoterapia (adrenalina), terapia térmica ou aplicação de clipes, frequentemente em terapia combinada para maior eficácia.
Os principais fatores de risco incluem uso de AINEs, infecção por H. pylori, idade avançada, comorbidades graves (cardiopatia, diabetes), uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, e história prévia de úlcera ou sangramento.
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