Hemorragia Digestiva Alta: Classificação de Forrest e Conduta

SMS São José do Rio Preto - Secretaria Municipal de Saúde (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 20 anos apresenta quadro de melena e hematêmese com 6 horas de evolução. Previamente hígido, no início apresentou vários episódios de vômitos após quadro de gastrenterite; está estável hemodinamicamente.Com relação à hemorragia digestiva alta, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Em doença ulcerosa péptica classificada em endoscopia digestiva alta como Forrest III, temos úlcera com coágulo em seu leito, a qual apresenta baixo índice de ressangramento
  2. B) A causa mais comum de hemorragia digestiva alta é a hipertensão portal com sangramento devido às varizes esofagogástricas
  3. C) Na doença ulcerosa péptica, classificada endoscopicamente como Forrest Ia, temos uma úlcera com sangramento ativo e pulsátil
  4. D) As lacerações de Mallory-Weiss podem ser causa importante de sangramento da região antropilórica, e a 1ª opção de tratamento, quando sangrante, é a cirurgia de emergência

Pérola Clínica

Forrest Ia = sangramento ativo pulsátil em úlcera péptica, alto risco de ressangramento.

Resumo-Chave

A classificação de Forrest é crucial na avaliação endoscópica da hemorragia digestiva alta de origem ulcerosa, pois estratifica o risco de ressangramento e guia a conduta terapêutica. Forrest Ia indica o maior risco, exigindo intervenção endoscópica imediata.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, definida como sangramento originado proximalmente ao ligamento de Treitz. Manifesta-se classicamente por hematêmese (vômito com sangue) e/ou melena (fezes escuras e pegajosas). A estabilidade hemodinâmica do paciente é o primeiro e mais crítico ponto a ser avaliado e estabilizado. A fisiopatologia da HDA varia conforme a etiologia. As causas mais comuns incluem doença ulcerosa péptica (DUP), varizes esofágicas (em pacientes com hipertensão portal) e lacerações de Mallory-Weiss. A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo identificar a fonte do sangramento e aplicar terapias hemostáticas. A classificação de Forrest é fundamental para estratificar o risco de ressangramento em úlceras pépticas. O tratamento da HDA depende da causa e da gravidade. Para úlceras sangrantes, a terapia endoscópica (injeção de epinefrina, clipagem, coagulação) é frequentemente combinada com inibidores da bomba de prótons (IBP) intravenosos. Em casos de varizes esofágicas, o tratamento envolve ligadura elástica e uso de drogas vasoativas. O prognóstico está diretamente relacionado à causa, à presença de comorbidades e à rapidez do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais estigmas de sangramento na classificação de Forrest e o que eles indicam?

Forrest Ia (sangramento em jato), Ib (sangramento em babação) e IIa (vaso visível não sangrante) indicam alto risco de ressangramento. IIb (coágulo aderido) indica risco intermediário, e IIc (mancha hemática) e III (base limpa) indicam baixo risco.

Qual a causa mais comum de hemorragia digestiva alta não varicosa?

A causa mais comum de HDA não varicosa é a doença ulcerosa péptica, seja por úlcera gástrica ou duodenal, frequentemente associada à infecção por H. pylori ou uso de AINEs.

Como as lacerações de Mallory-Weiss se manifestam e qual seu tratamento?

As lacerações de Mallory-Weiss são rupturas longitudinais da mucosa na junção gastroesofágica, geralmente após vômitos intensos. Manifestam-se com hematêmese e, na maioria dos casos, o sangramento é autolimitado, mas pode exigir tratamento endoscópico (infiltração, clipagem) em casos persistentes.

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