Miomas Uterinos: Escolha da Via Cirúrgica Ideal

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 36 anos de idade, nuligesta, apresenta queixa de sangramento uterino anormal há seis meses, associado a dismenorreia EVA 5, nos primeiros três dias da menstruação. Refere manter ciclos regulares, porém com aumento da duração e do volume menstrual. Realizou ultrassonografia, que apresenta os seguintes achados: útero em anteversoflexão, de morfologia normal e contornos regulares; mede 9,9 × 5,5 × 5,5 cm, com volume estimado em 155 cc; apresenta contornos lobulados, presença de dois nódulos miometriais, assim caracterizados: nódulo 1 em parede posterior, FIGO 0, medindo 2,3 × 2,0 × 2,0 cm; nódulo 2 em parede anterior FIGO 6, medindo 2,0 × 3,0 × 2,3 cm; zona juncional sem alterações. O endométrio possui espessura de 0,2 cm. Regiões retrocervical, paracervicais e do septo retovaginal: sem alterações evidentes. Os ovários apresentam dimensões normais e ecotextura preservada. Entre as alternativas a seguir, assinale a que apresenta a abordagem cirúrgica mais adequada para a paciente referida nesse caso hipotético. 

Alternativas

  1. A) miomectomia histeroscópica do nódulo 1 e miomectomia laparoscópica do nódulo 2.
  2. B) miomectomia laparoscópica do nódulo 1 e miomectomia histeroscópica do nódulo 2.
  3. C) miomectomia histeroscópica dos nódulos 1 e 2.
  4. D) miomectomia laparoscópica dos nódulos 1 e 2.
  5. E) somente miomectomia histeroscópica do nódulo 2.

Pérola Clínica

Mioma FIGO 0 (submucoso) → miomectomia histeroscópica; Mioma FIGO 6 (subseroso) → miomectomia laparoscópica.

Resumo-Chave

A classificação FIGO dos miomas é crucial para definir a via cirúrgica. Miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2) são acessíveis por histeroscopia, enquanto miomas subserosos (FIGO 6, 7) e intramurais profundos (FIGO 3, 4, 5) geralmente requerem abordagem laparoscópica ou laparotômica.

Contexto Educacional

Miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando até 70% das mulheres em idade reprodutiva. Eles podem causar sangramento uterino anormal, dismenorreia, dor pélvica, infertilidade e sintomas compressivos. A classificação FIGO é essencial para guiar a conduta, especialmente a via cirúrgica, e para a comunicação entre profissionais. A fisiopatologia dos miomas envolve o crescimento de células musculares lisas do miométrio sob influência hormonal, principalmente estrogênio e progesterona. O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia transvaginal, que avalia o número, tamanho e localização dos miomas, incluindo sua relação com o endométrio e a serosa, conforme a classificação FIGO. O tratamento depende dos sintomas, desejo de fertilidade e características dos miomas. A miomectomia é a cirurgia de escolha para mulheres que desejam preservar o útero. Miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2) são idealmente removidos por histeroscopia. Miomas intramurais e subserosos (FIGO 3 a 7) são geralmente abordados por laparoscopia ou laparotomia, dependendo do tamanho, número e experiência do cirurgião. A escolha da via cirúrgica minimamente invasiva, quando possível, oferece vantagens como menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida.

Perguntas Frequentes

O que significa a classificação FIGO para miomas uterinos?

A classificação FIGO descreve a localização do mioma em relação às camadas uterinas. FIGO 0 a 2 são submucosos, 3 a 5 são intramurais, e 6 a 7 são subserosos. FIGO 8 refere-se a miomas cervicais ou parasitas.

Quando a miomectomia histeroscópica é a abordagem preferencial?

A miomectomia histeroscópica é preferencial para miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2), pois permite a remoção do mioma através do colo uterino, sem incisões abdominais.

Quais são as indicações para miomectomia laparoscópica?

A miomectomia laparoscópica é indicada para miomas intramurais e subserosos (FIGO 3 a 7), oferecendo uma abordagem minimamente invasiva com menor tempo de recuperação em comparação com a laparotomia.

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