SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Analise a figura abaixo, que representa os diferentes tipos de miomas segundo a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO): Os miomas que mais causam sangramento uterino anormal são os representados pelos números:
Miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2) = Maior impacto no sangramento uterino anormal.
A classificação FIGO categoriza miomas de 0 a 8; os tipos 0, 1 e 2 são submucosos e possuem contato direto com o endométrio, sendo os principais responsáveis por menorragia.
A classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) é o padrão-ouro para descrever a localização dos leiomiomas. Ela varia de 0 (totalmente intracavitário) a 8 (localizações específicas como cervical ou parasita). O entendimento dessa classificação é vital para a decisão terapêutica, especialmente na distinção entre abordagens histeroscópicas, laparoscópicas ou laparotômicas. Clinicamente, o sangramento uterino anormal (SUA) é o sintoma mais comum da leiomiomatose. Miomas que distorcem a cavidade endometrial (submucosos) aumentam a área de descamação e alteram a angiogênese local. O diagnóstico preciso via ultrassonografia transvaginal ou histerossonografia permite classificar o nódulo e prever a viabilidade da miomectomia histeroscópica, melhorando o desfecho clínico da paciente.
O mioma FIGO tipo 0 é estritamente intracavitário e pediculado, sem qualquer extensão para o miométrio. É o tipo que mais frequentemente causa sangramento uterino anormal volumoso devido à sua localização totalmente exposta na cavidade endometrial, o que interfere na hemostasia local e aumenta a superfície de sangramento. Do ponto de vista cirúrgico, é o candidato ideal para a ressecção por histeroscopia cirúrgica, apresentando excelentes taxas de sucesso no controle dos sintomas hemorrágicos e na restauração da fertilidade, quando esta é o objetivo. A técnica de ressecção costuma ser mais simples e rápida do que nos tipos 1 e 2, pois não há necessidade de manobras para 'trazer' o componente intramural para a cavidade, reduzindo riscos de perfuração uterina e sobrecarga hídrica durante o procedimento.
Ambos são classificados como miomas submucosos, mas a diferenciação reside na profundidade de invasão do miométrio, o que impacta diretamente a complexidade cirúrgica. O tipo 1 possui menos de 50% de seu volume total dentro da parede miometrial, sendo predominantemente intracavitário. Já o tipo 2 possui 50% ou mais de seu volume localizado intramuralmente. Essa distinção é crucial para o planejamento da histeroscopia: miomas tipo 2 oferecem um risco significativamente maior de perfuração uterina, tempo cirúrgico prolongado e maior absorção de meio de distensão. Frequentemente, miomas tipo 2 maiores que 3 cm podem exigir uma abordagem em dois tempos cirúrgicos para garantir a segurança da paciente e a remoção completa do nódulo, enquanto o tipo 1 geralmente é resolvido em uma única sessão.
Embora os miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2) sejam os mais associados ao sangramento uterino anormal (SUA), os miomas intramurais (FIGO 3 e 4) também podem causar esse sintoma. Isso ocorre por diversos mecanismos: o aumento do volume uterino expande a área total da superfície endometrial disponível para sangramento; a presença do nódulo pode prejudicar a contratilidade miometrial eficiente necessária para a hemostasia durante a menstruação; e há uma desregulação da angiogênese e dos fatores de coagulação no endométrio adjacente. No entanto, clinicamente, os miomas submucosos tendem a causar sangramentos muito mais severos e anemia ferropriva secundária, pois a distorção da cavidade é direta. Miomas subserosos (FIGO 5, 6 e 7), por outro lado, raramente causam sangramento, manifestando-se mais comumente por dor pélvica ou compressão de órgãos vizinhos.
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