SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Uma paciente de 36 anos de idade, tentando engravidar, sem histórico de doenças ginecológicas relevantes, queixa-se de menstruação abundante e dor pélvica intermitente. Ao exame físico, o útero está aumentado e sensível. Uma ultrassonografia transvaginal revela a presença de um leiomioma intramural de classificação FIGO 3, de 5cm, localizado na parede posterior do útero, com características sugestivas de degeneração. A paciente está interessada em discutir opções de tratamento, já que deseja manter a fertilidade.De acordo com a classificação FIGO - Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia - para leiomiomas uterinos, o termo FIGO 3, atribuída ao leiomioma desta paciente, significa:
Mioma FIGO 3 = intramural, em contato com endométrio, sem invadir cavidade uterina.
A classificação FIGO para leiomiomas é crucial para determinar o impacto na fertilidade e a melhor abordagem terapêutica. O tipo FIGO 3, embora intramural, tem contato com o endométrio, o que pode afetar a implantação e causar sintomas como sangramento e dor, sendo relevante para pacientes que desejam engravidar.
Os leiomiomas uterinos, ou miomas, são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Sua apresentação clínica varia amplamente, desde assintomática até sintomas incapacitantes como sangramento uterino anormal, dor pélvica, pressão e, em alguns casos, infertilidade. A classificação FIGO é uma ferramenta essencial para a padronização e manejo dessas lesões. A classificação FIGO categoriza os leiomiomas com base em sua localização em relação às camadas do útero: endométrio, miométrio e serosa. Os tipos variam de 0 a 8, sendo os tipos 0, 1 e 2 submucosos (invadindo a cavidade uterina), 3, 4 e 5 intramurais (dentro do miométrio) e 6 e 7 subserosos (na superfície externa do útero). O tipo 8 refere-se a leiomiomas de outras localizações, como cervicais ou intraligamentares. O leiomioma FIGO 3 é definido como um mioma intramural que está em contato com o endométrio, mas não invade a cavidade uterina. Essa proximidade com o endométrio pode ser clinicamente relevante, pois pode interferir na implantação embrionária e contribuir para o sangramento uterino anormal, mesmo sem invadir diretamente a cavidade. Para residentes, compreender essa classificação é vital para a tomada de decisão terapêutica, especialmente em pacientes com desejo de gestar, onde a preservação da fertilidade é primordial.
A classificação FIGO é fundamental para padronizar a descrição dos leiomiomas, auxiliar na escolha da conduta terapêutica (clínica ou cirúrgica), prever o impacto na fertilidade e na sintomatologia da paciente, especialmente sangramento e dor.
O leiomioma FIGO 3 é predominantemente intramural, mas toca o endométrio sem invadir a cavidade uterina. Já os leiomiomas submucosos (FIGO 0, 1, 2) têm uma porção significativa ou total do seu volume invadindo a cavidade endometrial, o que os torna mais propensos a causar sangramento intenso e infertilidade.
Para pacientes que desejam manter a fertilidade, a miomectomia (remoção cirúrgica do mioma) é frequentemente a opção preferida. Outras abordagens, como embolização da artéria uterina, podem ser consideradas, mas com cautela devido ao potencial impacto na reserva ovariana e na fertilidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo