Classificação de Feridas Cirúrgicas: Contaminadas

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher recebeu golpe de objeto perfurocortante que lesionou seu fígado, intestino delgado e cólon transverso. Após laparotomia exploradora, sua ferida deve ser considerada como:

Alternativas

  1. A) Limpa contaminada.
  2. B) Contaminada.
  3. C) Infectada.
  4. D) Limpa.
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores.

Pérola Clínica

Ferida traumática com lesão de vísceras ocas (fígado, intestino) = Ferida Contaminada.

Resumo-Chave

A classificação de feridas cirúrgicas é essencial para prever o risco de infecção e guiar a profilaxia antibiótica. Feridas traumáticas, especialmente aquelas que envolvem lesão de vísceras ocas como intestino ou cólon, são consideradas contaminadas devido à alta carga bacteriana e ao risco significativo de infecção do sítio cirúrgico.

Contexto Educacional

A classificação das feridas cirúrgicas é um conceito fundamental em cirurgia, impactando diretamente o planejamento operatório, a profilaxia antibiótica e o prognóstico do paciente em relação às Infecções do Sítio Cirúrgico (ISC). Essa classificação, que divide as feridas em limpas, limpas contaminadas, contaminadas e infectadas, baseia-se no grau de contaminação bacteriana presente no momento da cirurgia. Compreender cada categoria é vital para a prática segura e eficaz. No caso de um trauma abdominal com lesão de vísceras ocas, como fígado, intestino delgado e cólon transverso, a ferida é inequivocamente classificada como contaminada. Isso ocorre porque há uma contaminação significativa da cavidade peritoneal com conteúdo gastrointestinal, que é rico em bactérias. Diferentemente de uma cirurgia eletiva onde há uma abertura controlada de vísceras (limpa contaminada), o trauma implica uma quebra da barreira protetora em um ambiente não preparado, aumentando exponencialmente o risco de infecção. Para residentes, a correta classificação da ferida não é apenas um exercício teórico, mas uma ferramenta prática para a tomada de decisões clínicas. Ela orienta a escolha e duração da antibioticoterapia profilática, a técnica de fechamento da ferida (por exemplo, fechamento primário versus fechamento tardio ou por segunda intenção em feridas muito contaminadas) e a vigilância pós-operatória para sinais de infecção. A falha em reconhecer e manejar adequadamente uma ferida contaminada pode levar a complicações graves, como peritonite, abscessos intra-abdominais e sepse, prolongando a internação e aumentando a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são as quatro classes de feridas cirúrgicas?

As quatro classes são: Limpa (eletiva, sem inflamação, sem abertura de vísceras), Limpa Contaminada (abertura controlada de vísceras ocas), Contaminada (traumática, quebra de técnica estéril, grande derramamento de conteúdo de vísceras) e Infectada (infecção estabelecida, pus, tecido desvitalizado).

Por que uma ferida com lesão de intestino é classificada como contaminada?

A lesão do intestino delgado e cólon transverso resulta em extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal, introduzindo uma alta carga bacteriana. Isso, combinado com o caráter traumático da lesão, classifica a ferida como contaminada, com alto risco de infecção.

Qual a importância da classificação da ferida para o manejo pós-operatório?

A classificação da ferida é crucial para determinar o risco de Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) e guiar a profilaxia antibiótica, o fechamento da ferida (primário, secundário ou terciário) e os cuidados pós-operatórios, visando minimizar as complicações infecciosas.

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