FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Mulher recebeu golpe de objeto perfurocortante que lesionou seu fígado, intestino delgado e cólon transverso. Após laparotomia exploradora, sua ferida deve ser considerada como:
Ferida traumática com lesão de vísceras ocas (fígado, intestino) = Ferida Contaminada.
A classificação de feridas cirúrgicas é essencial para prever o risco de infecção e guiar a profilaxia antibiótica. Feridas traumáticas, especialmente aquelas que envolvem lesão de vísceras ocas como intestino ou cólon, são consideradas contaminadas devido à alta carga bacteriana e ao risco significativo de infecção do sítio cirúrgico.
A classificação das feridas cirúrgicas é um conceito fundamental em cirurgia, impactando diretamente o planejamento operatório, a profilaxia antibiótica e o prognóstico do paciente em relação às Infecções do Sítio Cirúrgico (ISC). Essa classificação, que divide as feridas em limpas, limpas contaminadas, contaminadas e infectadas, baseia-se no grau de contaminação bacteriana presente no momento da cirurgia. Compreender cada categoria é vital para a prática segura e eficaz. No caso de um trauma abdominal com lesão de vísceras ocas, como fígado, intestino delgado e cólon transverso, a ferida é inequivocamente classificada como contaminada. Isso ocorre porque há uma contaminação significativa da cavidade peritoneal com conteúdo gastrointestinal, que é rico em bactérias. Diferentemente de uma cirurgia eletiva onde há uma abertura controlada de vísceras (limpa contaminada), o trauma implica uma quebra da barreira protetora em um ambiente não preparado, aumentando exponencialmente o risco de infecção. Para residentes, a correta classificação da ferida não é apenas um exercício teórico, mas uma ferramenta prática para a tomada de decisões clínicas. Ela orienta a escolha e duração da antibioticoterapia profilática, a técnica de fechamento da ferida (por exemplo, fechamento primário versus fechamento tardio ou por segunda intenção em feridas muito contaminadas) e a vigilância pós-operatória para sinais de infecção. A falha em reconhecer e manejar adequadamente uma ferida contaminada pode levar a complicações graves, como peritonite, abscessos intra-abdominais e sepse, prolongando a internação e aumentando a morbimortalidade.
As quatro classes são: Limpa (eletiva, sem inflamação, sem abertura de vísceras), Limpa Contaminada (abertura controlada de vísceras ocas), Contaminada (traumática, quebra de técnica estéril, grande derramamento de conteúdo de vísceras) e Infectada (infecção estabelecida, pus, tecido desvitalizado).
A lesão do intestino delgado e cólon transverso resulta em extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal, introduzindo uma alta carga bacteriana. Isso, combinado com o caráter traumático da lesão, classifica a ferida como contaminada, com alto risco de infecção.
A classificação da ferida é crucial para determinar o risco de Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) e guiar a profilaxia antibiótica, o fechamento da ferida (primário, secundário ou terciário) e os cuidados pós-operatórios, visando minimizar as complicações infecciosas.
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