Infecção do Sítio Cirúrgico: Classificação e Prevenção

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Sobre infecção no paciente cirúrgico, assinale a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) Cirurgias contaminadas são aquelas em que há abertura e manipulação de vísceras ocas, como em uma cirurgia bariátrica.
  2. B) Um dos fatores determinantes na infecção do sítio cirúrgico é o tempo cirúrgico prolongado e a classificação ASA classe III ou maior.
  3. C) A cirurgia videolaparocópica tem várias vantagens sobre a cirurgia convencional (aberta), porém as taxas de infecção cirúrgicas são semelhantes entre os métodos.
  4. D) A remoção de pelos com intuito de reduzir a infecção cirúrgica deve ser realizada fora do ambiente hospitalar (domicílio do paciente), e assim, consequentemente longe dos patógenos multirresistentes encontrados nesses ambientes.
  5. E) A administração do antibiótico profilático deve ocorrer nos 60 minutos que antecedem a incisão cirúrgica e durar no máximo 48 horas.

Pérola Clínica

Cirurgias contaminadas = abertura de vísceras ocas com contaminação significativa, ex: cirurgia bariátrica.

Resumo-Chave

Cirurgias são classificadas em limpas, potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas. Cirurgias contaminadas envolvem a abertura de vísceras ocas com extravasamento significativo de conteúdo ou inflamação aguda não purulenta, como ocorre em algumas cirurgias bariátricas ou ressecções intestinais.

Contexto Educacional

A infecção do sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas na prática cirúrgica, impactando significativamente a morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A prevenção da ISC é multifatorial e começa com a correta classificação da cirurgia, que orienta a necessidade e o tipo de antibioticoprofilaxia. Cirurgias contaminadas são aquelas em que há abertura de vísceras ocas com contaminação significativa do campo operatório, como em procedimentos gastrointestinais com manipulação de conteúdo intestinal, incluindo algumas cirurgias bariátricas. Diversos fatores de risco contribuem para a ocorrência de ISC, tanto relacionados ao paciente (comorbidades como diabetes, obesidade, estado nutricional, classificação ASA) quanto ao procedimento (tempo cirúrgico prolongado, técnica cirúrgica, hemostasia inadequada, hipotermia). A cirurgia videolaparoscópica, embora ofereça vantagens como menor trauma tecidual, não garante taxas de infecção zero, e as taxas podem ser comparáveis à cirurgia aberta se os princípios de assepsia e técnica não forem rigorosamente seguidos. A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida preventiva crucial, devendo ser administrada no momento correto (geralmente 60 minutos antes da incisão) para garantir níveis teciduais adequados durante o período crítico da cirurgia. A remoção de pelos, se necessária, deve ser feita com tricotomia elétrica e imediatamente antes da cirurgia, e não em domicílio, para evitar microlesões que podem aumentar o risco de infecção. A duração da profilaxia geralmente não deve exceder 24 horas, exceto em situações específicas.

Perguntas Frequentes

Como são classificadas as feridas cirúrgicas quanto ao risco de infecção?

As feridas cirúrgicas são classificadas em: limpas (sem abertura de vísceras ocas), potencialmente contaminadas (abertura controlada de vísceras ocas), contaminadas (abertura de vísceras ocas com extravasamento significativo ou inflamação aguda) e infectadas (presença de pus ou infecção estabelecida).

Quais fatores aumentam o risco de infecção do sítio cirúrgico?

Fatores de risco incluem tempo cirúrgico prolongado, classificação ASA elevada (III ou maior), idade avançada, obesidade, diabetes, imunossupressão, má técnica cirúrgica e preparo inadequado da pele.

Qual o momento ideal para a administração da antibioticoprofilaxia cirúrgica?

O antibiótico profilático deve ser administrado na dose plena por via intravenosa dentro de 60 minutos (ou 120 minutos para vancomicina/fluoroquinolonas) antes da incisão cirúrgica, e geralmente não deve ser estendido por mais de 24 horas (ou 48 horas para cirurgias cardíacas).

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