Classificação de Feridas Cirúrgicas: Critérios de Cirurgia Limpa

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026

Enunciado

Sobre cirurgia limpa, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) É caracterizada pela ausência de penetração em tratos contaminados e sem sinais de inflamação.
  2. B) Inclui procedimentos com presença de pus, tecidos desvitalizados ou perfuração de víscera oca.
  3. C) É aquela em que ocorre penetração controlada em tratos contaminados (respiratório, gastrointestinal, urinário).
  4. D) São procedimentos em que há contaminação grosseira e necessidade de antibioticoterapia prolongada obrigatória.

Pérola Clínica

Cirurgia limpa = sem penetração em tratos colonizados (GI, Resp, Urinário) e sem inflamação local.

Resumo-Chave

A classificação de feridas cirúrgicas orienta a antibioticoprofilaxia. Cirurgias limpas envolvem tecidos estéreis sem abertura de lúmens contaminados.

Contexto Educacional

A classificação do potencial de contaminação das feridas cirúrgicas é um pilar da cirurgia moderna, estabelecido para padronizar a vigilância epidemiológica e o uso racional de antimicrobianos. Cirurgias limpas, por definição, não acessam nichos biológicos com microbiota residente, o que minimiza o risco de infecção endógena. A manutenção da técnica asséptica rigorosa é o fator determinante para o sucesso desses procedimentos. Na prática clínica, o cirurgião deve reavaliar a classificação ao final do procedimento, pois intercorrências intraoperatórias, como a abertura acidental de uma alça intestinal, podem reclassificar uma cirurgia inicialmente planejada como limpa para contaminada. Essa mudança impacta o tempo de observação pós-operatória e a escolha do esquema de antibióticos.

Perguntas Frequentes

Qual a definição técnica de cirurgia limpa?

Cirurgias limpas são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso ou inflamatório local. O ponto crucial é que não ocorre a penetração nos tratos digestivo, respiratório ou geniturinário. Exemplos clássicos incluem herniorrafias, cirurgias cardíacas eletivas e neurocirurgias, desde que não haja quebra de técnica asséptica. O risco de infecção de sítio cirúrgico nessas condições é baixo, geralmente inferior a 2%, o que influencia diretamente a decisão sobre o uso de antibioticoprofilaxia.

Como diferenciar cirurgia limpa de potencialmente contaminada?

A diferença reside na abertura controlada de sistemas colonizados por microbiota própria. Enquanto a cirurgia limpa evita esses tratos, a potencialmente contaminada (ou limpa-contaminada) envolve a penetração técnica e controlada nos tratos respiratório, alimentar, geniturinário ou biliar, sem evidência de infecção prévia ou extravasamento importante. Um exemplo é a colecistectomia eletiva ou a apendicectomia por via laparoscópica em fase inicial. Essa distinção é vital para o protocolo de segurança hospitalar.

Quando uma cirurgia é considerada contaminada?

Uma cirurgia é classificada como contaminada quando ocorre uma falha técnica grosseira, presença de inflamação aguda não purulenta, ou quando há abertura de vísceras ocas com extravasamento de conteúdo para a cavidade. Feridas traumáticas recentes (menos de 6 horas) também entram nesta categoria. Diferente das infectadas, aqui ainda não há pus ou tecido desvitalizado crônico, mas o potencial de carga bacteriana já exige uma abordagem terapêutica ou profilática mais agressiva para evitar a evolução para sepse ou abscesso.

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