Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024
Segundo dados do DATASUS, em 2019 foram realizados mais de 5 milhões de procedimentos cirúrgicos, com mortalidade perioperatória geral de 1,6%. Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, tais procedimentos são realizados em uma população com idade média mais avançada e prevalência de maior comorbidades. Nesse contexto, avaliação clínica perioperatória ganha cada vez mais importância na tentativa de diminuir comorbidades e a mortalidade perioperatórias.Manual do Residente de Clínica Médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. – 3.a ed. Santana de Parnaíba-SP: Manole, 2023.Tendo o texto apenas como caráter informativo e levando em conta o tema que ele suscita e seus conhecimentos prévios, julgue o item.Um paciente com morte encefálica confirmada, envolvido em um processo de doação de órgãos, não apresenta uma classificação ASA definida de acordo com seu estado clínico.
ASA VI = Paciente com morte encefálica declarada cujos órgãos serão removidos para fins de doação.
A classificação ASA estratifica o estado físico pré-operatório; a categoria VI é reservada exclusivamente para doadores de órgãos em morte encefálica.
A classificação da American Society of Anesthesiologists (ASA) é uma ferramenta universal de comunicação sobre o estado fisiológico do paciente antes de um procedimento. No caso da ASA VI, o foco muda da segurança do paciente para a preservação da função orgânica. O manejo clínico envolve o suporte intensivo para evitar o colapso cardiovascular comum após a tempestade autonômica da morte encefálica, garantindo a perfusão de rins, fígado, coração e pulmões.
A classificação ASA VI é especificamente designada para pacientes que tiveram a morte encefálica confirmada e que estão sendo submetidos a procedimentos cirúrgicos para a retirada de órgãos para transplante. Diferente das outras categorias (I a V), que avaliam o risco de morbimortalidade do próprio paciente em relação à cirurgia, a ASA VI foca na manutenção da viabilidade dos órgãos para o receptor. É fundamental que o diagnóstico de morte encefálica siga rigorosamente os protocolos legais e clínicos vigentes antes da atribuição deste escore.
A escala varia de ASA I (paciente saudável) a ASA VI. ASA II refere-se a doença sistêmica leve; ASA III a doença sistêmica grave que limita a atividade; ASA IV a doença sistêmica grave com risco constante de morte; e ASA V a um paciente moribundo que não deve sobreviver sem a operação. O sufixo 'E' pode ser adicionado a qualquer categoria para indicar uma cirurgia de emergência, sinalizando um risco aumentado independentemente do estado físico basal do paciente.
A classificação ASA VI padroniza a documentação anestésica e cirúrgica no contexto de transplantes. Embora o paciente não tenha mais prognóstico de recuperação, o manejo anestésico durante a captação de órgãos é complexo, visando a estabilidade hemodinâmica, oxigenação tecidual e equilíbrio hidroeletrolítico para garantir que os órgãos captados tenham a melhor função possível nos receptores. A classificação ajuda na organização estatística e na comunicação entre as equipes de captação e transplante.
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