Desidratação Pediátrica: Diagnóstico e Terapia Oral

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Pré escolar, 4 anos apresenta há 1 dia com dor na barriga em região periumbilical associado a eliminação de fezes amolecidas, 4 vezes ao dia, sem sague ou pus. Mãe relata que na última hora vomitou 3 vezes. Não aceitou nada para comer desde ontem e está pedindo toda hora água. Ao exame físico apresentava-se irritado, boca seca, olhos sem lagrimas, olhos fundos, pulsos periféricos 130 ppm e Tempo de Enchimento Capilar <2 segundos. Qual o diagnóstico e melhor conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Desidratado; iniciar terapia de reidratação por via endovenosa
  2. B) Desidratado grave; iniciar soro de expansão por via endovenosa
  3. C) Desidratado; iniciar terapia de reidratação oral
  4. D) Desidratado grave; iniciar terapia de reidratação por via entérica
  5. E) Desidratado: iniciar soro de reidratação oral por sonda nasogástrica

Pérola Clínica

Pré-escolar irritado + boca seca + olhos fundos + sede intensa + TEC <2s = desidratação moderada → TRO.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de desidratação moderada (irritabilidade, boca seca, olhos fundos, sede intensa) sem sinais de choque (TEC <2s, pulsos presentes). Nesses casos, a terapia de reidratação oral (TRO) é a conduta inicial e mais adequada, sendo eficaz e segura.

Contexto Educacional

A desidratação em pré-escolares, frequentemente causada por diarreia e vômitos, é uma condição comum e potencialmente grave. A avaliação do estado de hidratação é crucial para determinar a conduta adequada. A classificação da desidratação, segundo critérios da OMS e do Ministério da Saúde, baseia-se na presença de sinais clínicos como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede e elasticidade da pele. No caso apresentado, a criança exibe sinais de desidratação (irritabilidade, boca seca, olhos fundos, sede intensa) mas sem critérios de gravidade que indiquem choque (TEC <2s, pulsos periféricos presentes). Essa apresentação se enquadra na desidratação moderada. A terapia de reidratação oral (TRO) é a pedra angular do tratamento da desidratação leve a moderada, sendo superior à hidratação endovenosa quando o paciente consegue ingeri-la, por ser mais fisiológica, segura e com menor risco de complicações. O manejo da desidratação deve ser rápido e eficaz para prevenir a progressão para quadros mais graves. A TRO deve ser iniciada precocemente, com soluções de reidratação oral que contenham a proporção adequada de sódio, glicose e outros eletrólitos. A educação dos pais sobre os sinais de alerta e a importância da TRO é fundamental para o sucesso do tratamento e a prevenção de futuras desidratações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação moderada em crianças?

Os sinais de desidratação moderada incluem irritabilidade ou inquietação, olhos fundos, boca e língua secas, ausência de lágrimas, sede intensa (a criança bebe avidamente) e elasticidade da pele diminuída. A ausência de sinais de choque, como TEC prolongado ou pulsos débeis, diferencia da desidratação grave.

Por que a terapia de reidratação oral (TRO) é a melhor conduta para desidratação moderada?

A TRO é a conduta de escolha para desidratação moderada porque é eficaz, segura, de baixo custo e pode ser administrada em casa. Ela repõe água e eletrólitos de forma fisiológica, prevenindo a necessidade de hidratação endovenosa e suas complicações, desde que a criança consiga beber e não apresente sinais de choque.

Quando a hidratação endovenosa é indicada para desidratação em crianças?

A hidratação endovenosa é indicada em casos de desidratação grave com sinais de choque (letargia, pulsos débeis, TEC >3s), vômitos incoercíveis que impedem a TRO, distensão abdominal com íleo paralítico ou falha da terapia de reidratação oral após tentativas adequadas.

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