Dengue Pediátrica: Classificação e Manejo Essencial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Com relação à classificação dos quadros de dengue adotada pelo Ministério da Saúde em nosso país e ao manejo do paciente pediátrico com suspeita dessa arbovirose, de acordo com as atuais recomendações, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) A presença de 5 petéquias em uma área de 2,5 cm x 2,5 cm após insuflação por 5 minutos na média da pressão arterial em uma criança de 5 anos caracteriza uma prova do laço positiva e classifica a criança como grupo C, havendo necessidade de hidratação parenteral enquanto aguarda exames laboratoriais.
  2. B) Crianças com sangramentos espontâneos em pele, mesmo sem sinais de alarme, devem ser classificadas como grupo B, sendo a coleta do hemograma obrigatória para avaliar hemoconcentração.
  3. C) Crianças com dor abdominal intensa e vômitos, independentemente de apresentarem sangramentos, são consideradas no grupo C e necessitam de hidratação oral imediata, em um volume inicial de 130 mL/kg, e que somente se encerrará após constatação de que não está ocorrendo hemoconcentração no hemograma.
  4. D) A hidratação parenteral com solução isotônica, no volume de 10 mL/kg na primeira hora é a conduta nos quadros suspeitos de dengue com sinais de alarme e deve ser iniciada somente após os resultados do hematócrito e ultrassonografia abdominal, para não aumentar o risco ou a piora de derrames cavitários.

Pérola Clínica

Dengue pediátrica: sangramento espontâneo = Grupo B, exige hemograma para hemoconcentração e monitorização.

Resumo-Chave

A classificação da dengue em crianças é crucial para o manejo adequado. Sangramentos espontâneos, mesmo sem outros sinais de alarme, indicam maior risco e a necessidade de monitorização laboratorial, como o hemograma, para avaliar a hemoconcentração e guiar a hidratação.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, especialmente na população pediátrica, onde a apresentação clínica pode ser atípica e a progressão para formas graves, rápida. A classificação correta dos quadros de dengue, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, é fundamental para o manejo adequado e a prevenção de complicações, sendo um tema recorrente em provas de residência. O diagnóstico da dengue é clínico-epidemiológico, e a identificação precoce dos sinais de alarme é crucial. A fisiopatologia envolve o extravasamento plasmático, que pode levar a choque e sangramentos. A monitorização do hematócrito é um pilar no acompanhamento, pois reflete a hemoconcentração e a necessidade de hidratação. A prova do laço, embora um sinal de alarme, não é o único critério para classificar a gravidade. O tratamento da dengue é de suporte, com foco na hidratação. A decisão entre hidratação oral e parenteral, bem como o volume e a velocidade, depende da classificação do paciente em grupos de risco (A, B, C, D). Pacientes com sangramentos espontâneos, mesmo sem outros sinais de alarme, são considerados de maior risco e necessitam de monitorização mais intensiva e, frequentemente, hidratação parenteral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue em crianças?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão postural, letargia, irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, sangramento de mucosas e aumento progressivo do hematócrito.

Como a prova do laço é interpretada na dengue pediátrica?

A prova do laço é considerada positiva em crianças se houver 10 ou mais petéquias por polegada quadrada (2,5 x 2,5 cm) após 5 minutos de insuflação na média da pressão arterial. É um sinal de alarme, mas não classifica automaticamente como grupo C.

Qual a importância da hemoconcentração no manejo da dengue?

A hemoconcentração, evidenciada pelo aumento do hematócrito, indica extravasamento plasmático e é um sinal de gravidade na dengue. Sua monitorização é fundamental para guiar a necessidade e o volume da hidratação intravenosa.

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