Dengue com Sinais de Alarme: Classificação e Conduta

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um jovem de 25 anos procura a unidade básica de saúde com febre alta há 4 dias, acompanhada de dores musculares intensas, cefaleia, dor retro-orbital e náuseas. Ele relata que, nos últimos dois dias, notou algumas manchas avermelhadas na pele, principalmente nos braços e nas pernas, além de ter sentido tontura ao levantar-se pela manhã. Ao exame físico, o paciente apresenta febre de 38,7 ºC, erupções cutâneas, pressão arterial de 100/70 mmHg e pulso de 98 bpm. O hemograma revela uma queda no número de plaquetas (80000/mm³) e um hematócrito aumentado (45%).Assinale a alternativa que indica a correta classificação desse caso e a conduta a ser adotada.

Alternativas

  1. A) Dengue grupo A. Hidratação oral vigorosa e orientar procurar o pronto atendimento em caso de sinais de alarme.
  2. B) Dengue grupo B. Observação no domicílio com hidratação oral vigorosa e solicitar coleta de IgG no 6º dia.
  3. C) Dengue grupo D. Iniciar reposição volêmica intravenosa imediata e transferir para pronto-socorro para acompanhamento em UTI.
  4. D) Dengue grupo C. Iniciar reposição volêmica intravenosa imediata na UBS e transferir para unidade de referência para reavaliação do hematócrito.

Pérola Clínica

Dengue com sinais de alarme (plaquetopenia + hematócrito ↑, tontura) → Grupo C, iniciar hidratação IV e transferir.

Resumo-Chave

O paciente apresenta febre alta, mialgia, cefaleia, dor retro-orbital e exantema, compatível com dengue. A plaquetopenia (80.000/mm³) e o hematócrito aumentado (45%), associados à tontura, são sinais de alarme que indicam extravasamento plasmático, classificando o caso como Dengue Grupo C, exigindo hidratação venosa imediata e encaminhamento.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. Sua apresentação clínica varia desde formas assintomáticas até quadros graves com choque e óbito. A classificação da dengue, conforme as diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde, é crucial para o manejo adequado e a prevenção de complicações. A identificação precoce dos sinais de alarme é o ponto chave para evitar a progressão para as formas graves. Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, hipotensão postural (tontura), letargia e, laboratorialmente, a plaquetopenia associada ao aumento do hematócrito, indicam extravasamento plasmático e a necessidade de intervenção imediata. Pacientes com sinais de alarme são classificados como Grupo C e requerem hidratação venosa imediata com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) na própria unidade de atendimento, seguida de transferência para um hospital de referência para monitoramento contínuo e manejo intensivo, se necessário. O acompanhamento do hematócrito é fundamental para guiar a terapia volêmica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na dengue?

Os principais sinais de alarme na dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia, hipotensão postural (tontura), e acúmulo de líquidos, além de elevação do hematócrito e queda abrupta das plaquetas.

Qual a conduta inicial para um paciente com dengue e sinais de alarme?

A conduta inicial para pacientes com dengue e sinais de alarme (Grupo C) é iniciar imediatamente a reposição volêmica intravenosa com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) na unidade de atendimento e transferir para uma unidade de referência para acompanhamento e reavaliação do hematócrito.

Como a plaquetopenia e o hematócrito elevado se relacionam com a gravidade da dengue?

A plaquetopenia (abaixo de 100.000/mm³) é um achado comum na dengue, mas uma queda abrupta é um sinal de alarme. O hematócrito elevado (acima de 45% em homens ou 40% em mulheres, ou aumento de 20% em relação ao basal) indica extravasamento plasmático, que é o principal mecanismo fisiopatológico da dengue grave e preditor de choque.

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