Dengue em Adultos: Classificação e Manejo Inicial

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 46 anos, queixa-se de febre de até 38,5ºC há 3 dias, acompanhada de cefaleia difusa e mialgias, além de uma prostração geral após o início da febre. O paciente nega outros sintomas. No exame físico, apresenta PA 110/70 mmHg, FC 90 bpm, FR 16 mrpm, Tax 37ºC e hidratado. Ausculta cardiopulmonar, exame abdominal e cutaneomucoso normais. O paciente é hipertenso, em uso de losartana 50 mg/dia. O caso apresentado leva à suspeita de

Alternativas

  1. A) dengue, classificado como Grupo A, e está indicado manejo no domicílio com hidratação via oral, uso de paracetamol ou dipirona e orientações de sinais de alerta.
  2. B) dengue, classificado como Grupo B, e está indicado coleta imediata de hemograma, início de hidratação por via oral e manutenção do paciente em observação, aguardando resultado de hemograma para definição de conduta.
  3. C) chikungunya e está indicado analgesia com paracetamol ou dipirona e, na persistência da dor, podem-se associar analgésicos opioides. Anti-inflamatórios não-esteroides só poderão ser iniciados após o 10º dia da doença.
  4. D) zika e está indicado repouso, hidratação por via oral, manutenção do paciente em observação por 24 horas, uso de paracetamol ou dipirona, sem a necessidade de coleta de exames laboratoriais.

Pérola Clínica

Febre + mialgia/cefaleia + prostração = suspeita de dengue. Sinais de alarme ausentes, mas comorbidade (hipertensão) → Grupo B, hemograma e observação.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sintomas clássicos de dengue (febre, cefaleia, mialgia, prostração) sem sinais de alarme evidentes. No entanto, a presença de comorbidade (hipertensão) o classifica como Grupo B, o que exige coleta de hemograma, hidratação oral e observação para monitorar a evolução e identificar precocemente sinais de alarme.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A apresentação clínica é variada, desde formas assintomáticas até quadros graves com choque e hemorragias. O diagnóstico precoce e a classificação adequada do paciente são cruciais para um manejo eficaz e para prevenir a evolução para formas mais severas da doença. A classificação da dengue em grupos (A, B, C, D) orienta a conduta terapêutica. Pacientes do Grupo A são aqueles sem sinais de alarme e sem comorbidades, podendo ser manejados ambulatorialmente. O Grupo B inclui pacientes sem sinais de alarme, mas com condições de risco (comorbidades como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, ou extremos de idade, ou condições sociais específicas), necessitando de observação e exames laboratoriais como o hemograma. O manejo inicial para pacientes do Grupo B envolve hidratação oral vigorosa, monitoramento dos sinais vitais e da diurese, e a realização de hemograma para avaliar hematócrito e plaquetas. A observação clínica é fundamental para identificar precocemente o surgimento de sinais de alarme, que indicariam a progressão para o Grupo C ou D e a necessidade de internação e hidratação venosa. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas a vigilância é constante devido à imprevisibilidade da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da dengue?

Os sintomas clássicos da dengue incluem febre alta de início súbito, cefaleia, dor retro-orbital, mialgia, artralgia, prostração e, por vezes, exantema.

Como a presença de comorbidades afeta a classificação da dengue?

Pacientes com comorbidades (como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas) são classificados no Grupo B, mesmo na ausência de sinais de alarme, devido ao maior risco de complicações, exigindo monitoramento mais rigoroso.

Qual a importância do hemograma no manejo inicial da dengue?

O hemograma é crucial para avaliar a hemoconcentração (aumento do hematócrito) e a plaquetopenia, que são marcadores de gravidade e auxiliam na classificação e decisão terapêutica, especialmente na transição para o Grupo C ou D.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo