Dengue Grupo B: Identificação e Manejo Essencial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Samara, 34 anos, previamente hígida, chega para atendimento por estar há 2 dias com febre, cefaleia, dor retro-orbitária, mal-estar, náuseas e sangramento gengival após escovação dos dentes pela manhã. Ao exame físico, encontra-se em: regular estado geral, hidratada, eupneica, T: 38°C e PA: 110 × 80 mmHg. Trata-se de um caso suspeito de dengue do:

Alternativas

  1. A) Grupo B. Deve-se solicitar hemograma, hidratação oral e acompanhamento em leito de observação até o resultado do exame. Caso hematócrito normal e paciente estável, o manejo deve ser realizado em ambiente ambulatorial, com hidratação oral, repouso, prescrição de analgésicos, retorno para reavaliação clínica e laboratorial diária até 48 horas após a queda da febre ou imediata se presença de sinais de alarme.
  2. B) Grupo C. Deve-se solicitar hemograma, hidratação oral e acompanhamento em leito de observação até o resultado do exame. Caso hematócrito aumentado, após a reposição volêmica inicial, deve-se proceder à reavaliação clínica e laboratorial, mantendo hidratação na segunda hora até a reavaliação do hematócrito.
  3. C) Grupo B. Deve-se solicitar hemograma, hidratação oral e acompanhamento em leito de observação até o resultado do exame. Caso hematócrito aumentado, realizar reposição volêmica imediata, com reavaliação após 1 hora e, se paciente sentir-se bem e com sinais estáveis, orientar repouso, prescrição de analgésicos, retorno para reavaliação clínica e laboratorial diária até 48 horas após a queda da febre ou imediata se presença de sinais de alarme.
  4. D) Grupo C. Deve-se solicitar hemograma, hidratação oral e acompanhamento em leito de observação até o resultado do exame. Caso hematócrito estiver normal e paciente estável, o manejo deve ser realizado em ambiente ambulatorial, com hidratação oral, repouso, prescrição de analgésicos, retorno para reavaliação clínica e laboratorial diária até 48 horas após a queda da febre ou imediata se presença de sinais de alarme.
  5. E) Grupo A. O manejo deve ser realizado em ambiente ambulatorial, com hidratação oral, repouso, prescrição de analgésicos, agendamento de retorno para o dia da melhora da febre. Caso apresente sinais de alarme, procurar atendimento imediato, preenchimento do cartão de acompanhamento e liberação para domicílio.

Pérola Clínica

Dengue com sangramento espontâneo (gengival) ou induzido → Grupo B. Requer hemograma, hidratação oral e observação até resultado.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de dengue, incluindo sangramento gengival, que é um sinal de alarme. A presença de sangramentos espontâneos ou induzidos classifica o caso como Dengue com Sinais de Alarme (Grupo B), exigindo monitoramento mais rigoroso e avaliação laboratorial para guiar a conduta.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, e sua classificação correta é fundamental para o manejo adequado e prevenção de complicações graves. A classificação em grupos (A, B, C, D) baseia-se na presença de sinais de alarme e gravidade, guiando a conduta terapêutica e o local de atendimento. O Grupo B, que inclui pacientes com sinais de alarme como sangramentos espontâneos ou induzidos, exige atenção especial devido ao risco de progressão para formas graves da doença. A fisiopatologia da dengue envolve a replicação viral que pode levar à disfunção endotelial, aumento da permeabilidade vascular e alterações na coagulação, resultando em plaquetopenia e, consequentemente, sangramentos. A identificação precoce de sinais de alarme, como o sangramento gengival, é crucial para evitar a evolução para choque por extravasamento plasmático ou sangramentos maciços, que caracterizam a dengue grave. O manejo do Grupo B foca na monitorização rigorosa, hidratação adequada e avaliação laboratorial. O hemograma, com especial atenção ao hematócrito, é um indicador importante do extravasamento plasmático. A hidratação oral é a primeira linha, mas a reposição volêmica intravenosa pode ser necessária se houver aumento do hematócrito ou sinais de choque. O acompanhamento diário até 48 horas após a queda da febre é essencial, pois o período crítico da doença ocorre geralmente na fase de defervescência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme que classificam a dengue no Grupo B?

Os sinais de alarme para dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), sangramento de mucosas (gengival, nasal), letargia/irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais indica o Grupo B.

Qual a conduta inicial para um paciente com dengue classificado no Grupo B?

A conduta inicial para o Grupo B envolve solicitar hemograma (com hematócrito e plaquetas), iniciar hidratação oral e manter o paciente em leito de observação até o resultado do exame. Se o hematócrito estiver normal e o paciente estável, o manejo pode ser ambulatorial com hidratação oral, repouso, analgésicos e reavaliação diária. Se o hematócrito estiver aumentado, indica reposição volêmica intravenosa.

Por que o sangramento gengival é um sinal de alarme na dengue?

O sangramento gengival, mesmo que leve, é um sinal de alarme porque indica uma possível disfunção da coagulação ou fragilidade capilar, que pode progredir para sangramentos mais graves. Ele reflete a alteração da hemostasia causada pelo vírus da dengue, que pode levar à plaquetopenia e aumento da permeabilidade vascular.

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