Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Samara, 34 anos, previamente hígida, chega para atendimento por estar há 2 dias com febre, cefaleia, dor retro-orbitária, mal-estar, náuseas e sangramento gengival após escovação dos dentes pela manhã. Ao exame físico, encontra-se em: regular estado geral, hidratada, eupneica, T: 38°C e PA: 110 × 80 mmHg. Trata-se de um caso suspeito de dengue do:
Dengue com sangramento espontâneo (gengival) ou induzido → Grupo B. Requer hemograma, hidratação oral e observação até resultado.
A paciente apresenta sintomas clássicos de dengue, incluindo sangramento gengival, que é um sinal de alarme. A presença de sangramentos espontâneos ou induzidos classifica o caso como Dengue com Sinais de Alarme (Grupo B), exigindo monitoramento mais rigoroso e avaliação laboratorial para guiar a conduta.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, e sua classificação correta é fundamental para o manejo adequado e prevenção de complicações graves. A classificação em grupos (A, B, C, D) baseia-se na presença de sinais de alarme e gravidade, guiando a conduta terapêutica e o local de atendimento. O Grupo B, que inclui pacientes com sinais de alarme como sangramentos espontâneos ou induzidos, exige atenção especial devido ao risco de progressão para formas graves da doença. A fisiopatologia da dengue envolve a replicação viral que pode levar à disfunção endotelial, aumento da permeabilidade vascular e alterações na coagulação, resultando em plaquetopenia e, consequentemente, sangramentos. A identificação precoce de sinais de alarme, como o sangramento gengival, é crucial para evitar a evolução para choque por extravasamento plasmático ou sangramentos maciços, que caracterizam a dengue grave. O manejo do Grupo B foca na monitorização rigorosa, hidratação adequada e avaliação laboratorial. O hemograma, com especial atenção ao hematócrito, é um indicador importante do extravasamento plasmático. A hidratação oral é a primeira linha, mas a reposição volêmica intravenosa pode ser necessária se houver aumento do hematócrito ou sinais de choque. O acompanhamento diário até 48 horas após a queda da febre é essencial, pois o período crítico da doença ocorre geralmente na fase de defervescência.
Os sinais de alarme para dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), sangramento de mucosas (gengival, nasal), letargia/irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais indica o Grupo B.
A conduta inicial para o Grupo B envolve solicitar hemograma (com hematócrito e plaquetas), iniciar hidratação oral e manter o paciente em leito de observação até o resultado do exame. Se o hematócrito estiver normal e o paciente estável, o manejo pode ser ambulatorial com hidratação oral, repouso, analgésicos e reavaliação diária. Se o hematócrito estiver aumentado, indica reposição volêmica intravenosa.
O sangramento gengival, mesmo que leve, é um sinal de alarme porque indica uma possível disfunção da coagulação ou fragilidade capilar, que pode progredir para sangramentos mais graves. Ele reflete a alteração da hemostasia causada pelo vírus da dengue, que pode levar à plaquetopenia e aumento da permeabilidade vascular.
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