Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 36 anos, hígida apresenta febre há 48 horas, de início súbito, associada a artralgia e dor retro-orbitária. No exame da triagem, a paciente apresentava os seguintes sinais vitais: temperatura=38ºC; Pulso=98bpm; PA: 180X76 mmHg; FR=22irpm; SaO2=98%, enchimento capilar de 2s. Negava durante a sua consulta dor abdominal, náuseas, vômitos, sangramentos ou outras queixas. Ao exame físico, ausência de hipotensão postural, prova do laço negativa. Você fez a hipótese de Dengue para a situação clínica acima descrita. Em relação à classificação de dengue e a conduta quanto à solicitação de exames para esta paciente no pronto socorro, assinale a alternativa correta.
Dengue sem sinais de alarme (Tipo A) → hidratação oral domiciliar, retorno se piora ou sinais de alarme.
A paciente apresenta sintomas clássicos de dengue, mas sem sinais de alarme ou sangramentos. Isso a classifica como Dengue Tipo A, indicando manejo ambulatorial com hidratação oral e orientação para retorno imediato em caso de sinais de alarme.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, e a correta classificação e manejo dos casos são cruciais para evitar a progressão para formas graves. A classificação da dengue é baseada na presença de sinais de alarme e condições de risco, dividindo-se em Dengue (sem sinais de alarme), Dengue com Sinais de Alarme e Dengue Grave. A paciente do enunciado, com febre, artralgia e dor retro-orbitária, mas sem dor abdominal, náuseas, vômitos, sangramentos ou hipotensão, se enquadra na classificação de Dengue sem sinais de alarme (Tipo A, segundo algumas classificações mais antigas, ou Grupo A/B conforme diretrizes atuais do Ministério da Saúde). Para pacientes com Dengue Tipo A, o manejo é predominantemente ambulatorial. A pedra angular do tratamento é a hidratação oral vigorosa, com ingestão de líquidos caseiros (água, soro de reidratação oral, sucos, chás) em volumes adequados (cerca de 60-80 mL/kg/dia para adultos). O paciente deve ser orientado a repousar e a retornar imediatamente ao serviço de saúde se apresentar qualquer sinal de alarme, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão postural, letargia, irritabilidade, hepatomegalia ou sangramentos. A solicitação de exames complementares, como o hemograma, não é obrigatória na primeira consulta para todos os casos de Dengue Tipo A, especialmente se o paciente estiver hígido e sem comorbidades. O hemograma torna-se mais relevante no período crítico da doença (queda da febre) ou em pacientes com sinais de alarme, para monitorar a hemoconcentração e a contagem de plaquetas. A prova do laço, embora útil, não é decisiva para a classificação e conduta, especialmente se negativa em um paciente sem sinais de alarme.
Um paciente é classificado como Dengue Tipo A quando apresenta febre e dois ou mais sintomas de dengue (ex: cefaleia, mialgia, artralgia, dor retro-orbitária, exantema) e não possui sinais de alarme, sangramentos, condições de risco ou comorbidades.
A conduta inicial para Dengue Tipo A é a hidratação oral abundante no domicílio, repouso, uso de analgésicos/antitérmicos (paracetamol ou dipirona) e orientação para retorno imediato ao serviço de saúde caso surjam sinais de alarme ou piora clínica.
O hemograma não é rotineiramente indicado para todos os casos de Dengue Tipo A na primeira consulta, a menos que haja dúvida diagnóstica, comorbidades ou proximidade do período crítico (queda da febre). É fundamental para pacientes com sinais de alarme ou em grupos de risco.
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