Histerectomia: Classificação e Profilaxia Antibiótica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

No ambulatório de um hospital secundário, o médico de plantão recebe uma paciente de 43 anos de idade que se encontra no 10º dia de pós-operatório de uma histerectomia total abdominal por doença benigna. A paciente queixa-se de mal-estar, hiporexia e febre (37,3 °C) há cerca de 2 dias. Ao exame físico, a incisão operatória encontra-se um pouco hiperemiada e quente. A semiologia pulmonar é normal; não há queixa de disúria nem sinais de flebite.Considerando esse caso, assinale a opção que apresenta, respectivamente, a classificação da cirurgia quanto ao grau de contaminação e qual deveria ter sido a melhor conduta pré-operatória para evitar a infecção pós-operatória.

Alternativas

  1. A) Contaminada; realizar antibioticoprofilaxia com a administração de cefazolina 1G IV durante o ato cirúrgico.
  2. B) Contaminada; realizar antibioticoprofilaxia com a administração de cefazolina 2G IV uma hora antes do ato cirúrgico. 
  3. C) Limpa-contaminada; realizar antibioticoprofilaxia com a administração de cefazolina 1G IV durante o ato cirúrgico.
  4. D) Limpa-contaminada; realizar antibioticoprofilaxia com a administração de cefazolina 2G IV uma hora antes do ato cirúrgico.

Pérola Clínica

Histerectomia = cirurgia limpa-contaminada → profilaxia com Cefazolina 2g IV 1h antes da incisão.

Resumo-Chave

Histerectomia é classificada como cirurgia limpa-contaminada devido à abertura de vísceras ocas (útero/vagina) em condições controladas. A antibioticoprofilaxia é crucial, sendo a cefazolina (2g IV para pacientes > 80kg ou 1g IV para < 80kg) administrada 30-60 minutos antes da incisão para garantir níveis teciduais adequados no momento da contaminação.

Contexto Educacional

A prevenção de infecções de sítio cirúrgico (ISC) é um pilar fundamental na segurança do paciente cirúrgico. A classificação das cirurgias quanto ao grau de contaminação é o primeiro passo para determinar a necessidade e o tipo de antibioticoprofilaxia. Cirurgias são classificadas em Limpas (sem abertura de vísceras ocas), Limpas-Contaminadas (abertura controlada de vísceras ocas), Contaminadas (contaminação grosseira ou inflamação aguda sem pus) e Infectadas (presença de pus ou infecção estabelecida). A histerectomia, por envolver a abertura do trato genital (útero e vagina), é classicamente categorizada como Limpa-Contaminada. Para cirurgias Limpas-Contaminadas, a antibioticoprofilaxia é fortemente recomendada. O objetivo é reduzir a carga bacteriana no campo operatório no momento da incisão, minimizando o risco de ISC. A cefazolina é o antibiótico de escolha para a maioria das cirurgias ginecológicas, devido ao seu espectro de ação contra bactérias Gram-positivas e boa penetração tecidual. A dose padrão para adultos é de 2g IV para pacientes com peso superior a 80 kg, ou 1g IV para aqueles com peso inferior, administrada idealmente 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica. É crucial que o residente compreenda não apenas a escolha do antibiótico, mas também o tempo e a dose corretos da profilaxia. A administração precoce demais pode levar à queda dos níveis séricos no momento crítico da incisão, enquanto a administração tardia pode não ser eficaz. Além da profilaxia, a técnica cirúrgica asséptica, o controle da temperatura corporal, a normoglicemia e a oxigenação adequada são medidas complementares essenciais para a prevenção de infecções pós-operatórias.

Perguntas Frequentes

Quais são as categorias de classificação de cirurgias quanto ao grau de contaminação?

As cirurgias são classificadas em Limpas, Limpas-Contaminadas, Contaminadas e Infectadas, baseando-se no potencial de contaminação bacteriana durante o procedimento.

Qual o momento ideal para administrar a antibioticoprofilaxia cirúrgica?

O antibiótico deve ser administrado 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica, garantindo que haja concentração tecidual adequada no momento da potencial contaminação.

Quais são os principais fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico após histerectomia?

Fatores incluem obesidade, diabetes, tempo cirúrgico prolongado, técnica cirúrgica inadequada, má hemostasia e falha na antibioticoprofilaxia.

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