Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher de 44 anos está em preparativos para realização de colecistectomia eletiva (videocirurgia) por colelitíase. No ultrassom pré-operatório, a vesícula biliar apresenta-se com 3 cálculos de 1,0 cm, com suas dimensões normais, sem espessamento da parede, sem presença de líquido pericoledociano; ducto colédoco de 4 mm de diâmetro.De acordo com a classificação das cirurgias segundo o potencial de contaminação, a cirurgia proposta é classificada como
Colecistectomia eletiva por colelitíase = cirurgia potencialmente contaminada (trato biliar acessado).
A colecistectomia, mesmo eletiva e por colelitíase sem sinais de infecção aguda, é classificada como potencialmente contaminada. Isso ocorre porque envolve a abertura de uma víscera oca (vesícula biliar) que contém flora bacteriana (trato biliar), mesmo que em condições normais e sem infecção ativa, aumentando o risco de contaminação do campo cirúrgico.
A classificação das cirurgias segundo o potencial de contaminação é um conceito fundamental em cirurgia, essencial para a prevenção de infecções do sítio cirúrgico (ISC) e para a decisão sobre a antibioticoprofilaxia. Essa classificação divide os procedimentos em quatro categorias: limpa, potencialmente contaminada, contaminada e infectada (ou suja), com base na presença de microrganismos no campo operatório e no grau de contaminação. A cirurgia limpa é realizada em tecidos estéreis, sem abertura de vísceras ocas e sem inflamação. A cirurgia potencialmente contaminada envolve a abertura de vísceras ocas (trato gastrointestinal, biliar, respiratório, geniturinário) sob condições controladas, com mínima contaminação. A cirurgia contaminada ocorre em presença de inflamação aguda não purulenta, contaminação grosseira ou falha na técnica asséptica. Por fim, a cirurgia infectada ou suja é realizada em presença de infecção purulenta, víscera perfurada ou tecido necrótico. A colecistectomia eletiva para tratamento de colelitíase, como no caso descrito, é classificada como uma cirurgia potencialmente contaminada. Embora seja um procedimento eletivo e o paciente não apresente sinais de infecção aguda (como colecistite), a abertura da vesícula biliar e o acesso ao trato biliar implicam na manipulação de uma víscera oca que naturalmente contém flora bacteriana. Essa manipulação, mesmo que cuidadosa, confere um risco maior de contaminação do sítio cirúrgico em comparação com uma cirurgia limpa. A compreensão dessa classificação é crucial para a aplicação correta das medidas de prevenção de infecção, incluindo a antibioticoprofilaxia, que é rotineiramente indicada nesses casos.
As quatro classes são: limpa (sem abertura de vísceras ocas, sem inflamação), potencialmente contaminada (abertura de vísceras ocas sob condições controladas), contaminada (contaminação grosseira, inflamação aguda sem pus) e infectada/suja (presença de pus, víscera perfurada, infecção pré-existente).
A colecistectomia eletiva é considerada potencialmente contaminada porque envolve a abertura do trato biliar (vesícula biliar), uma víscera oca que contém flora bacteriana, mesmo que em condições normais e sem infecção ativa. Isso confere um risco inerente de contaminação do campo cirúrgico.
Os riscos associados a uma cirurgia potencialmente contaminada incluem um maior risco de infecção do sítio cirúrgico em comparação com cirurgias limpas. Por isso, medidas profiláticas como a antibioticoprofilaxia são frequentemente indicadas para reduzir esse risco.
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