Choque Hipovolêmico no Trauma: Classificação e Conduta

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022

Enunciado

Um paciente foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) à emergência de um hospital com história de atropelamento há alguns minutos. Ao exame físico, o paciente apresenta FC =110 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 90% e PA = 100 mmHg x 75 mmHg. Ao ser questionado, apenas verbaliza algumas palavras sem sentido, e demonstra abertura ocular à dor e resposta motora de flexão anormal. A ausculta respiratória indica murmúrio vesicular ausente à direita e normais à esquerda. Exames cardiovascular e abdominal não há alterações. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A maioria dos pacientes em choque classe II precisará de transfusão de hemoderivados, enquanto praticamente todos em choque classe III precisarão de protocolo de transfusão maciça.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Choque Classe II → Cristaloides; Classe III → Sangue; Classe IV → Protocolo Transfusão Maciça.

Resumo-Chave

No choque hipovolêmico (ATLS 10ª ed), a Classe II responde a cristaloides, enquanto a Classe III exige hemoderivados. A transfusão maciça é reservada para a Classe IV ou instabilidade grave.

Contexto Educacional

A classificação do choque hemorrágico é um pilar do ATLS para guiar a ressuscitação volêmica. O reconhecimento precoce da classe de choque permite intervir antes da descompensação hemodinâmica grave. O choque Classe II é frequentemente compensado por mecanismos adrenérgicos, enquanto a Classe III marca o limite da compensação, onde a oferta de oxigênio torna-se criticamente dependente da reposição de hemoglobina. A evolução para o Protocolo de Transfusão Maciça deve ser baseada em critérios objetivos para evitar complicações como a coagulopatia dilucional e a sobrecarga volêmica, mantendo a estratégia de ressuscitação hemostática.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos do choque Classe III?

O choque Classe III, caracterizado por uma perda volêmica de 15% a 30% (aproximadamente 1500-2000 mL em um adulto), apresenta-se clinicamente com taquicardia acentuada (geralmente >120 bpm), taquipneia significativa (30-40 irpm) e, crucialmente, uma queda na pressão arterial sistólica. O estado mental do paciente frequentemente evolui para confusão ou ansiedade grave. Diferente da Classe II, onde a reposição inicial pode ser feita apenas com cristaloides, a Classe III exige obrigatoriamente a administração de hemoderivados (concentrado de hemácias) associada à solução cristaloide aquecida, pois a capacidade de transporte de oxigênio está criticamente comprometida.

Quando indicar o Protocolo de Transfusão Maciça (PTM)?

O Protocolo de Transfusão Maciça (PTM) é formalmente indicado em hemorragias exanguinantes, tipicamente classificadas como Classe IV (perda >40% do volume), ou quando há necessidade de mais de 10 unidades de concentrado de hemácias em 24 horas. Na prática de emergência, utiliza-se o escore ABC (Assessment of Blood Consumption) para ativação precoce, considerando: trauma penetrante, PAS <90 mmHg, FC >120 bpm e FAST positivo. O PTM visa a ressuscitação hemostática, administrando hemácias, plasma e plaquetas em proporções balanceadas (1:1:1 ou 1:1:2) para evitar a coagulopatia traumática aguda e a tríade da morte.

Qual a diferença de manejo entre Choque Classe II e III?

A principal diferença reside na necessidade de hemoderivados. No Choque Classe II (perda de 15-30%), o paciente apresenta taquicardia e redução da pressão de pulso (aumento da diastólica por vasoconstrição), mas a pressão sistólica ainda é mantida; o tratamento inicial preconizado pelo ATLS é a infusão de cristaloides. Já no Choque Classe III (perda de 31-40%), a pressão sistólica cai e o débito urinário diminui drasticamente. Nesse estágio, a reposição volêmica apenas com cristaloides é insuficiente e deletéria (pode causar hemodiluição), sendo mandatória a inclusão de sangue na estratégia de ressuscitação para restaurar a perfusão tecidual efetiva.

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