Choque Hemorrágico no Trauma: Classificação e Manejo

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Um paciente com história de atropelamento em acidente grave foi levado ao pronto-socorro. Ao exame físico, ele apresenta FC = 112 bpm, FR = 29 irpm, SatO2 = 89% e PA =100 mmHg x 75 mmHg. Ao ser questionado, apenas verbaliza sons incompreensíveis, mostra abertura ocular à dor e resposta motora de flexão anormal. A ausculta respiratória denota murmúrio vesicular ausente à direita e normal à esquerda. Ao exame cardiovascular e abdominal não há demais alterações. Acerca desse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente está em Glasgow 8 e deve ser intubado.
  2. B) Quanto ao nível de hemorragia, no caso apresentado, pode-se classificar o choque como classe III.
  3. C) Nesse caso, está indicado o uso de ácido tranexâmico. Ele é um medicamento antifibrinolítico e deve ser aplicado de maneira tardia, 8 horas após o trauma.
  4. D) A radiografia de tórax nesse paciente se faz necessária para confirmação do diagnóstico de hemo ou pneumotórax.
  5. E) Caso o dreno de tórax esteja drenando 100 mL sero-hemático por dia, mesmo sem vazamentos e com boa expansibilidade pulmonar ao exame de raios X, não é possível retirá-lo. É preciso que a drenagem torácica seja inferior a 50 mL/dia.

Pérola Clínica

Choque Classe III: Taquicardia (>120 bpm), hipotensão (PA sistólica <100), taquipneia, alteração nível consciência.

Resumo-Chave

A classificação do choque hemorrágico é crucial para guiar a reanimação volêmica. A presença de taquicardia, hipotensão, taquipneia e alteração do nível de consciência, mesmo que leve, indica um choque mais avançado, como Classe III, que requer intervenção imediata e agressiva.

Contexto Educacional

O manejo do paciente traumatizado grave exige uma avaliação rápida e sistematizada, seguindo o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support). A identificação e classificação do choque hemorrágico são etapas críticas, pois a perda volêmica é a principal causa de morte evitável no trauma. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é fundamental para avaliar o nível de consciência e determinar a necessidade de proteção de vias aéreas, como a intubação orotraqueal. O exame físico, incluindo a ausculta pulmonar, pode revelar lesões torácicas graves, como pneumotórax ou hemotórax, que requerem intervenção imediata. A correta interpretação dos sinais vitais e do estado neurológico permite classificar o choque e iniciar a reanimação adequada. A reanimação volêmica com cristaloides e hemoderivados, juntamente com o controle da fonte de sangramento, são pilares do tratamento. Medicamentos como o ácido tranexâmico têm um papel importante na redução da mortalidade por hemorragia, mas sua eficácia é tempo-dependente. O monitoramento contínuo e a reavaliação são essenciais para guiar a conduta e otimizar o prognóstico do paciente traumatizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais parâmetros para classificar o choque hemorrágico?

Os principais parâmetros incluem frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário, nível de consciência e déficit de base. A combinação desses fatores permite classificar o choque em classes I a IV, indicando a gravidade da perda volêmica.

Qual a pontuação da Escala de Coma de Glasgow para intubação?

Geralmente, uma pontuação na Escala de Coma de Glasgow (ECG) igual ou inferior a 8 é uma indicação para intubação orotraqueal, visando proteger as vias aéreas e garantir ventilação adequada em pacientes com rebaixamento do nível de consciência.

Quando o ácido tranexâmico é indicado no trauma?

O ácido tranexâmico é indicado para pacientes com trauma e sangramento significativo, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas após o trauma, para reduzir a mortalidade por hemorragia. Não deve ser aplicado tardiamente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo