Choque Hemorrágico: Classificação e Perda Sanguínea Estimada

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente vítima de atropelamento é trazido ao Pronto Socorro desorientado, confuso, com frequência cardíaca de 130 bpm, frequência respiratória de 35 ipm e pressão arterial de 88 x 50 mmHg. Qual é a classificação de seu estado de choque e qual é a perda sanguínea estimada para produzir estes sintomas?

Alternativas

  1. A) Classe II; perda estimada entre 750 e 1500 mL (15 a 30% da volemia).
  2. B) Classe III; perda estimada entre 1500 a 2000 mL (30 a 40% da volemia).
  3. C) Classe I; perda estimada de até 750 mL (até 15% da volemia).
  4. D) Classe IV; perda estimada acima de 2000 mL (>40% da volemia).

Pérola Clínica

Choque hemorrágico Classe III = FC >120, FR >30, PA ↓, confusão, perda 1500-2000mL (30-40% volemia).

Resumo-Chave

A classificação do choque hemorrágico pelo ATLS baseia-se em parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e estado mental. A combinação de taquicardia (>120 bpm), hipotensão (PA sistólica <90 mmHg), taquipneia (>30 ipm) e alteração do estado mental (confusão/desorientação) é característica do choque Classe III, indicando uma perda sanguínea significativa.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de morte evitável no trauma, e sua rápida identificação e manejo são cruciais. A classificação do choque hemorrágico, conforme preconizado pelo ATLS, é uma ferramenta fundamental para estimar a perda sanguínea e guiar a reanimação. Ela se baseia em uma série de parâmetros fisiológicos que refletem a resposta compensatória do organismo à hipovolemia. A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve a redução do volume sanguíneo circulante, levando à diminuição do débito cardíaco e hipoperfusão tecidual. O corpo tenta compensar com taquicardia, vasoconstrição periférica e aumento da frequência respiratória. No entanto, à medida que a perda sanguínea progride, esses mecanismos compensatórios falham, resultando em hipotensão, acidose e disfunção orgânica. A identificação da classe do choque é essencial para determinar a agressividade da reanimação volêmica e a necessidade de transfusão sanguínea. Pacientes em choque Classe III, como o descrito na questão, necessitam de rápida infusão de fluidos e, frequentemente, de produtos sanguíneos. O objetivo é restaurar a perfusão tecidual e corrigir a hipovolemia, evitando a progressão para choque irreversível.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais parâmetros utilizados para classificar o choque hemorrágico?

Os principais parâmetros são frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário, estado mental e pulso. A combinação desses sinais permite estimar a perda volêmica e a classe do choque, guiando a conduta terapêutica.

Qual a perda sanguínea estimada para um paciente em choque Classe III?

Um paciente em choque Classe III apresenta uma perda sanguínea estimada entre 1500 a 2000 mL, o que corresponde a 30% a 40% da volemia total. Esta classe é caracterizada por taquicardia acentuada, hipotensão, taquipneia e alteração significativa do estado mental.

Como o estado mental do paciente se correlaciona com a gravidade do choque?

O estado mental é um indicador sensível da perfusão cerebral e, consequentemente, da gravidade do choque. Pacientes em choque Classe I podem estar ansiosos, enquanto na Classe II podem apresentar ansiedade moderada. Na Classe III, há confusão e desorientação, e na Classe IV, letargia ou perda de consciência, refletindo hipoperfusão cerebral severa.

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