Classificação do Choque Hipovolêmico no Trauma (ATLS)

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022

Enunciado

Um paciente foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) à emergência de um hospital com história de atropelamento há alguns minutos. Ao exame físico, o paciente apresenta FC =110 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 90% e PA = 100 mmHg x 75 mmHg. Ao ser questionado, apenas verbaliza algumas palavras sem sentido, e demonstra abertura ocular à dor e resposta motora de flexão anormal. A ausculta respiratória indica murmúrio vesicular ausente à direita e normais à esquerda. Exames cardiovascular e abdominal não há alterações. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Quanto ao nível de hemorragia, nesse caso, pode-se classificar o choque como classe IVa.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Choque Classe IV = Perda >40% volêmica + FC >140 + PA sistólica ↓↓ + Letargia.

Resumo-Chave

A Classe IV de hemorragia representa o estado mais crítico de choque hipovolêmico, exigindo transfusão imediata e controle de danos, diferente do quadro de estabilidade relativa apresentado.

Contexto Educacional

A classificação do choque hemorrágico é uma ferramenta vital do ATLS para guiar a ressuscitação volêmica. Ela divide a hemorragia em quatro classes baseadas na perda sanguínea estimada e sinais vitais. É fundamental notar que a pressão arterial sistólica geralmente só cai significativamente após uma perda de 30% do volume (Classe III). No manejo prático, a resposta à infusão inicial de cristaloides é mais importante que a classificação estática. Pacientes que não respondem ou respondem transitoriamente devem ser encaminhados para intervenção cirúrgica imediata ou angioembolização, além de considerar a ativação do protocolo de transfusão maciça se houver suspeita de Classe III ou IV.

Perguntas Frequentes

Quais os parâmetros da hemorragia Classe IV?

Na Classe IV do ATLS, a perda volêmica ultrapassa 40% (aproximadamente >2000ml no adulto). Os sinais clínicos incluem taquicardia extrema (>140 bpm), hipotensão acentuada, pressão de pulso muito reduzida, frequência respiratória >35 irpm, débito urinário desprezível e estado mental letárgico ou confuso. O tratamento requer protocolo de transfusão maciça imediato.

Por que o caso clínico não é Classe IV?

O paciente apresenta PA de 100/75 mmHg e FC de 110 bpm. Embora haja taquicardia e taquipneia, a pressão arterial ainda não atingiu os níveis críticos de hipotensão típicos da Classe IV. Além disso, a ausência de murmúrio vesicular à direita sugere uma causa obstrutiva (pneumotórax/hemotórax) que pode mimetizar ou agravar o choque, mas os parâmetros hemodinâmicos puros sugerem Classe II ou III.

Como o ATLS classifica o estado mental no choque?

O estado mental progride de 'ansioso' na Classe I e II, para 'confuso' na Classe III, chegando a 'letárgico ou sonolento' na Classe IV. No caso, o paciente verbaliza palavras sem sentido e tem GCS rebaixado, o que pode ser decorrente tanto do choque quanto de um TCE associado ou hipóxia por trauma torácico.

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