PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Paciente portador de cirrose por hepatite C. vem ao ambulatório para consulta de rotina relatando aumento do volume abdominal nos últimos 15 dias, associado a edema de MMII, além de insônia e lentificação dos pensamentos. Encontra-se lúcido, orientado no tempo e espaço, sem flappings, levemente ictérico. Presença de ascite detectada por macicez móvel, sinal do piparote negativo. Os exames laboratoriais mostram: AST 43; ALT 30; GGT 57; BT 3,5 (BD 2,9 BI 0,6); INR 1,4; Albumina sérica 3,1. De acordo com a escala de Child-Pugh, esse paciente se classifica como:
Child-Pugh: Bilirrubina, Albumina, INR, Ascite, Encefalopatia.
O escore de Child-Pugh estratifica a gravidade da cirrose. No caso, a pontuação 10 (Bilirrubina 3, Albumina 2, INR 1, Ascite 2, Encefalopatia 2) classifica o paciente como Child C.
A classificação de Child-Pugh-Turcotte permanece uma ferramenta indispensável na prática clínica para avaliar a gravidade da cirrose. No paciente apresentado, a pontuação é: Bilirrubina 3.5 (>3) = 3 pontos; Albumina 3.1 (2.8-3.5) = 2 pontos; INR 1.4 (<1.7) = 1 ponto; Ascite presente = 2 pontos; Encefalopatia (insônia/lentificação) = 2 pontos. Total = 10 pontos (Child C). Pacientes Child C possuem alto risco de complicações como hemorragia digestiva varicosa, peritonite bacteriana espontânea e síndrome hepatorrenal. A presença de ascite e encefalopatia marca a transição da cirrose compensada para a descompensada, exigindo acompanhamento rigoroso e avaliação para transplante hepático, caso não haja contraindicações.
O escore de Child-Pugh utiliza cinco parâmetros, cada um pontuado de 1 a 3. Os parâmetros laboratoriais são: Bilirrubina total (<2=1, 2-3=2, >3=3), Albumina (>3.5=1, 2.8-3.5=2, <2.8=3) e INR (<1.7=1, 1.7-2.3=2, >2.3=3). Os parâmetros clínicos são: Ascite (Ausente=1, Leve/Controlada=2, Moderada/Tensa=3) e Encefalopatia (Ausente=1, Graus I-II=2, Graus III-IV=3). A soma total define a classe: Child A (5-6 pontos), Child B (7-9 pontos) e Child C (10-15 pontos). Este sistema é fundamental para prever a sobrevida e o risco cirúrgico em hepatopatas.
As classes de Child-Pugh refletem a reserva funcional hepática e o prognóstico. A Classe A indica doença bem compensada com sobrevida em um ano próxima a 100%. A Classe B representa comprometimento funcional significativo, com sobrevida em um ano de cerca de 80%. A Classe C indica doença descompensada, com sobrevida em um ano caindo para aproximadamente 45%. Além do prognóstico, a classificação orienta ajustes de doses de medicamentos e a indicação de transplante hepático, embora o escore MELD seja atualmente mais utilizado para a priorização na lista de transplante.
A encefalopatia hepática mínima ou grau I manifesta-se por alterações sutis no ciclo sono-vigília (insônia ou sonolência diurna), leve confusão mental, irritabilidade e lentificação do raciocínio, muitas vezes sem flapping (asterixe). No grau II, os sintomas são mais evidentes, incluindo letargia, desorientação temporal, mudanças óbvias de personalidade e presença de flapping. Identificar esses estágios iniciais é crucial para o manejo (uso de lactulose e rifaximina) e para a pontuação correta em escores prognósticos como o Child-Pugh.
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