UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Paciente masculino, 60 anos, tabagista, diabético e hipertenso, em uso de Hidroclorotiazida 25mg 1x ao dia, Anlodipino 10mg 1x ao dia, Atenolol 50mg 1x ao dia e Metformina 1g 2x ao dia. Relata em consulta de rotina um quadro de dor torácica iniciada há 6 meses, do tipo aperto, desencadeada atualmente ao deambular 100 metros com melhora ao repouso, associada ao quadro dispneia, e nega irradiações. Ao exame físico, PA: 150x90 mmHg, FC:85bpm, se'm alterações do aparelho respiratório e cardiovascular. Realizada cintilografia miocárdica com teste de esforço, a qual evidenciou isquemia de 15% em região de domínio de artéria coronária descendente anterior. Qual a classificação CCS (Canadian Cardiovascular Society)? Quais medicações devem ser prescritas para redução de mortalidade? Qual o próximo passo?
Angina ao deambular 100m = CCS III. Isquemia + Fatores de Risco → Atorvastatina, Enalapril, AAS + Cateterismo.
A angina que ocorre com atividades leves, como caminhar 100 metros, classifica-se como CCS III. Em pacientes com isquemia miocárdica confirmada e múltiplos fatores de risco, o tratamento para redução de mortalidade inclui estatina (atorvastatina), IECA (enalapril) e antiagregante (AAS), sendo o próximo passo a avaliação anatômica com cateterismo cardíaco.
A angina pectoris é um sintoma cardinal da doença arterial coronariana (DAC), e sua correta classificação é fundamental para o manejo. A Sociedade Cardiovascular Canadense (CCS) oferece uma escala prática para graduar a gravidade da angina, auxiliando na tomada de decisões terapêuticas. Pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, diabetes e hipertensão, apresentam maior probabilidade de desenvolver DAC e suas complicações. No caso apresentado, a angina desencadeada ao deambular 100 metros classifica-se como CCS III, indicando uma limitação significativa das atividades diárias. A presença de isquemia miocárdica confirmada por cintilografia reforça a necessidade de uma abordagem terapêutica agressiva. O tratamento para redução de mortalidade na DAC inclui a otimização do perfil lipídico com estatinas (ex: atorvastatina), a proteção cardiovascular com IECA (ex: enalapril) e a prevenção de eventos trombóticos com antiagregantes plaquetários (ex: AAS). Após a otimização da terapia medicamentosa, o próximo passo em pacientes com angina CCS III e isquemia significativa é a avaliação anatômica das artérias coronárias, sendo o cateterismo cardíaco o método padrão-ouro. Este procedimento permite identificar a localização e gravidade das lesões, orientando a decisão sobre a necessidade e o tipo de revascularização (ICP ou CRM), visando melhorar os sintomas e o prognóstico a longo prazo.
A classificação CCS avalia a angina pela atividade que a desencadeia. CCS I: angina com esforço extenuante; CCS II: angina com esforço moderado; CCS III: angina com esforço leve, como caminhar 1-2 quarteirões ou subir um lance de escadas; CCS IV: angina em repouso ou com qualquer atividade física mínima.
As medicações que reduzem a mortalidade em pacientes com DAC incluem antiagregantes plaquetários (como o ácido acetilsalicílico - AAS), estatinas (para controle lipídico e estabilização de placa), inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) para cardioproteção, e betabloqueadores em casos específicos (pós-infarto, disfunção ventricular).
O cateterismo cardíaco é indicado como próximo passo em pacientes com isquemia miocárdica documentada (especialmente se extensa ou em área de alto risco), sintomas limitantes apesar da terapia otimizada, ou características de alto risco em testes não invasivos, para avaliar a anatomia coronariana e planejar uma possível revascularização.
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