HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 31 anos de idade, está na sua segunda gestação (um parto normal prévio, sem complicações), com idade gestacional de 41 semanas e pré-natal sem intercorrências até o momento. É admitida no centro obstétrico em condução de trabalho de parto normal. No momento, apresenta 4 contrações em 10 minutos, colo uterino médio, anteriorizado e com 5cm de dilatação. O feto se encontra cefálico, no plano -2 de DeLee, com bolsa rota. Realizou a seguinte cardiotocografia fetal:Qual é a classificação desta cardiotocografia e qual conduta deve ser adotada?
CTG Categoria II → conduta expectante com medidas de reanimação intrauterina (hidratação, decúbito lateral) e reavaliação.
A cardiotocografia Categoria II indica um padrão indeterminado, não sendo nem normal nem patológico. A conduta inicial envolve medidas de reanimação intrauterina, como hidratação venosa e mudança de decúbito para otimizar o fluxo sanguíneo uteroplacentário, antes de considerar intervenções mais invasivas.
A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta crucial no monitoramento fetal intraparto, avaliando a frequência cardíaca fetal (FCF) e a atividade uterina. Sua classificação em categorias I, II e III permite guiar a conduta obstétrica, sendo a Categoria I indicativa de bem-estar fetal, a Categoria III de sofrimento fetal agudo e a Categoria II um padrão indeterminado que exige vigilância e intervenções conservadoras. A correta interpretação da CTG é fundamental para a segurança materno-fetal e para evitar intervenções desnecessárias ou tardias. A Categoria II da CTG abrange uma ampla gama de padrões que não são claramente benignos nem patológicos. Fatores como a variabilidade da FCF, a presença e o tipo de desacelerações (variáveis, tardias, precoces) e a linha de base (taquicardia, bradicardia) são analisados em conjunto. A fisiopatologia subjacente a um padrão Categoria II pode incluir compressão do cordão umbilical, hipóxia transitória ou alterações no tônus vagal fetal, que podem ser reversíveis com medidas simples. A suspeita deve surgir quando há alterações persistentes que não se enquadram na normalidade. O tratamento inicial para uma CTG Categoria II foca em medidas de reanimação intrauterina, como hidratação venosa materna, mudança de decúbito (preferencialmente lateral esquerdo), oxigenoterapia e suspensão de ocitocina, se em uso. O prognóstico geralmente é bom se houver resposta a essas medidas. É crucial reavaliar a CTG após as intervenções e considerar a progressão para Categoria III ou a necessidade de interrupção da gestação se não houver melhora ou se houver piora do padrão.
A CTG Categoria II é caracterizada por padrões que não se encaixam na Categoria I (normal) nem na Categoria III (anormal). Inclui variabilidade mínima ou ausente sem desacelerações recorrentes, variabilidade moderada com desacelerações variáveis ou tardias recorrentes, ou taquicardia/bradicardia fetal sem perda de variabilidade.
A hidratação materna aumenta o volume intravascular e melhora a perfusão uteroplacentária, enquanto o decúbito lateral (especialmente o esquerdo) alivia a compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico, otimizando o retorno venoso e o fluxo sanguíneo para o feto. Ambas são medidas de reanimação intrauterina para corrigir hipóxia ou acidose fetal leve.
Se uma CTG Categoria II não melhora com as medidas de reanimação intrauterina e progride para Categoria III (caracterizada por ausência de variabilidade da linha de base com desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, ou bradicardia, ou padrão sinusoidal), a conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana de emergência, devido ao risco de sofrimento fetal grave.
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